“São os três primeiros meses para a gente ver o que o governo vai fazer para controlar a inflação. Os custos são mais altos e é preciso maior injeção de dinheiro na economia, então o governo terá uma tarefa árdua para fazer a economia doméstica e também para torcer que alguns fatores exógenos sejam mais tranquilos”, comenta.
A situação vai pesar para a alimentação dos brasileiros. Segundo o economista, a tendência é que a cesta básica fique mais cara no primeiro trimestre, já sob o efeito da inflação maior. Os economistas ainda não sabem em quanto a cesta ficará mais cara, mas a tendência indica que ela ficará.
Fernando Henrique diz que alguns itens dependem de situações externas à economia brasileira. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia continua a inflacionar o preço de alimentos importados pelos dois países, como o trigo de qual é feito o pãozinho francês.
O início do mandato de Donald Trump também gera uma expectativa no mercado. Ele é visto como um presidente que opta por medidas protecionistas à economia norte-americano, e o mecanismo a ser adotado pode encarecer outros produtos pela competição.
“Não dá para falar se 2025 será um ano difícil, ainda é muito cedo, mas alguns fatores indicam que será um ano complexo. Agora no fim do ano, a tensão está mais tensa na Rússia e na Ucrânia e isso deve afetar o mercado, a posse de Donald Trump também deve mexer um com pouco com o cenário, porque ele é figura protecionista”, disse.
O terceiro fator é doméstico. Segundo o economista, o governo brasileiro deverá adotar medidas impopulares para controlar os gastos, mas elas poderão ser barradas pelo presidente Lula já com vista a uma reeleição em 2026. Se houver corte real, a inflação vai subir e o crédito ficará escasso por causa dos juros altos.


