terça-feira, 2 junho 2026
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Campanha da Fraternidade 2026 reacende debate sobre déficit habitacional

Uma das mais importantes iniciativas da Igreja Católica, a Campanha da Fraternidade 2026 convida os fiéis à reflexão, à conversão e ao compromisso com a vida em sociedade. Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a campanha este ano traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

A ideia é fazer refletir sobre o direito fundamental à casa digna como expressão concreta da dignidade humana. Em Cuiabá, o lançamento foi realizado na terça-feira de Carnaval (17), durante o encerramento do 39º Vinde e Vede, maior encontro católico de evangelização da região, que reúne milhares de fiéis em um momento de fé, formação e comunhão.

A exemplo de anos anteriores, a escolha da data reforça a sintonia entre a proposta evangelizadora do evento e o chamado da Campanha da Fraternidade, que anualmente mobiliza comunidades, pastorais e movimentos em torno de um tema social e eclesial relevante.

Já a abertura oficial aconteceu na noite (18/02), Quarta-feira de Cinzas, durante celebração presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Mário Antonio, na Catedral Basílica Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em nível nacional, a cerimônia oficial de abertura da campanha foi realizada pela CNBB, no começa da manhã dessa quarta, em Brasília (DF).

Conforme informações da Arquidiocese de Cuiabá, a abertura oficial da campanha marca o início do Tempo da Quaresma, período em que a Igreja Católica convida os fiéis a intensificarem a oração, o jejum e a caridade. Também são convidados à conversão pessoal e comunitária, assumindo atitudes concretas de solidariedade, compromisso social e promoção da justiça, para que ninguém seja privado do direito de ter um lar onde possa viver com dignidade e esperança.

A campanha busca ainda conscientizar a sociedade sobre a importância da moradia para as famílias mais necessitadas, chamando atenção para aqueles que enfrentam a falta de habitação, vivem em condições precárias ou sofrem com a insegurança habitacional. A estimativa é de Mato Grosso conta com um déficit de 120 mil moradias, conforme dados do relatório da Fundação João Pinheiro (FJP), divulgado em 2025.

Também dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o Estado tem 58 favelas e comunidades urbanas localizadas em cinco cidades. Nesses conjuntos habitacionais populares moram 81.895 pessoas, o correspondente a 2,2% da população mato-grossense.

A maioria encontra-se em Cuiabá (47), com 80.652 pessoas (8,5%) vivendo nessas regiões. As demais estão localizadas em Várzea Grande (6), Rondonópolis (3), Sinop (1) e Cáceres (1). No país, o Censo 2022 encontrou 12.348 favelas e comunidades urbanas, onde viviam 16.390.815 indivíduos, o que equivale a 8,1% da população brasileira.

Diante dessa realidade, a campanha mais do que tratar de estruturas físicas, recorda que a casa é espaço de proteção, convivência, formação de valores e vivência da fé. “Moradia digna! Esse é o nosso desejo. Que os filhos de Deus tenham moradia e moradia digna, com qualidade de vida”, disse Dom Mário.

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