O Brasil tem hoje 3,07 médicos para cada mil habitantes, mas Mato Grosso está abaixo da média, com 2,3 profissionais por mil pessoas, de acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) analisados pelo perfil Brasil em Mapas (2024).
O levantamento mostra que, embora o número total de médicos no país tenha crescido, já são 630 mil profissionais registrados, a distribuição continua altamente desigual entre as regiões. Enquanto o Sudeste concentra a maior parte dos profissionais, estados do Norte e Nordeste seguem com os menores índices de cobertura médica.
Taxa de médicos por mil habitantes, 2024
DF 6,3
6,3Mato Grosso
2,3Média Brasil
3,07
Mato Grosso: interior enfrenta escassez
Em Mato Grosso, o número de médicos por habitante é menor que o ideal e a concentração de profissionais nas grandes cidades evidencia o desequilíbrio regional. A capital, Cuiabá, reúne a maior parte dos registros, enquanto municípios do norte e oeste do estado enfrentam dificuldades para manter médicos fixos, especialmente especialistas como pediatras e obstetras.
A falta de infraestrutura hospitalar e as longas distâncias até centros de referência são fatores que dificultam a fixação de profissionais de saúde no interior. Apesar da expansão da rede estadual e dos incentivos para abertura de cursos de Medicina, a carência de atendimento básico ainda é uma realidade em várias regiões mato-grossenses.
Taxa de médicos por mil habitantes, 2024
Comparativo por unidade da federação, com destaque para a média nacional e Mato Grosso.
Maior taxa: DFMédia nacionalMato GrossoDemais estadosMédia nacional:3,07médicos por mil habitantes
Distrito Federal
6,3Rio de Janeiro
4,3São Paulo
3,7Espírito Santo
3,6Minas Gerais
3,5Rio Grande do Sul
3,7Santa Catarina
3,4Paraná
3,1Mato Grosso do Sul
3,0Goiás
2,9Mato Grosso
2,3Bahia
2,1Ceará
2,3Pará
1,4Maranhão
1,3Amapá
1,5Amazonas
1,6Roraima
1,8Acre
1,8Média Brasil
3,07Fonte: Conselho Federal de Medicina (CFM), Brasil em Mapas — 2024Arte: Primeira Página
Sudeste concentra maior proporção
De acordo com o levantamento, as maiores densidades médicas estão no Sudeste. O Distrito Federal é o ponto fora da curva, com 6,3 médicos por mil habitantes, seguido por Rio de Janeiro (4,3), São Paulo (3,7) e Espírito Santo (3,6), todos acima da média nacional.
No Sul, os índices também se mantêm elevados, como em Rio Grande do Sul (3,7), Santa Catarina (3,4) e Paraná (3,1). No Centro-Oeste, Goiás (2,9) e Mato Grosso do Sul (3,0) apresentam proporções mais equilibradas, enquanto Mato Grosso (2,3) segue abaixo da média brasileira.
Norte e Nordeste têm os piores índices
Os menores números estão concentrados na região Norte, com Maranhão (1,3), Pará (1,4), Amapá (1,5) e Amazonas (1,6). Esses estados enfrentam escassez de profissionais e alta dependência de programas federais como o Mais Médicos para manter o atendimento básico.
No Nordeste, Piauí (2,2) e Alagoas (2,4) também registram proporções menores que a média nacional. Esses dados revelam que, embora o país tenha aumentado o número total de médicos, a concentração nas capitais e regiões metropolitanas ainda é um desafio, refletindo a desigualdade histórica no acesso à saúde.
O CFM destaca que o país forma cerca de 30 mil novos médicos por ano, mas a maioria permanece nas capitais do Sudeste e Sul, onde há mais oportunidades e melhor infraestrutura hospitalar.
O Conselho defende a criação de planos de carreira, incentivos regionais e investimentos em infraestrutura de saúde para reduzir as disparidades entre estados e garantir atendimento adequado à população das regiões mais isoladas.



