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Agosto Lilás reforça rede de proteção e encoraja mulheres a romperem o ciclo da violência em Nova Olímpia (vídeos)

Nilva Ramos, do CREAS, e Fátima Dalposso, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, destacam informação, acolhimento e coragem para buscar ajuda

O Agosto Lilás ganha força em Nova Olímpia com uma mensagem que vai além da conscientização: é preciso reconhecer a violência, saber onde procurar ajuda e, principalmente, romper o silêncio. A campanha mobiliza a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, CRAS, CREAS e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), em torno da prevenção e do enfrentamento à violência contra a mulher.

Em entrevistas sobre o tema, a assistente social do CREAS Nilva Ramos e a representante do CMDM Fátima Dalposso reforçaram que a informação é uma das principais ferramentas para que as mulheres consigam identificar situações de violência e acessar a rede de proteção disponível no município. As entrevistas foram conduzidas pelo assessor de imprensa da Prefeitura, Eronildo Lukas, e divulgadas nas redes sociais.

Nilva chama atenção especialmente para o fato de que a violência não se restringe à agressão física. Ameaças, humilhações, controle, perseguição, violência psicológica, sexual, moral e patrimonial também integram situações que precisam ser reconhecidas e enfrentadas.

Nesse mesmo sentido, Fátima Dalposso ressalta que muitas mulheres ainda encontram dificuldades para perceber que estão inseridas em um ciclo de violência.

“Não é só a violência física. Temos diferentes tipos de violência que precisam ser compreendidos. A mulher precisa identificar o que está vivendo e procurar auxílio no lugar certo”, afirmou.

A representante do Conselho destaca que discutir ou tentar enfrentar sozinha o agressor nem sempre proporciona uma saída segura. Para ela, o passo fundamental é recorrer aos serviços preparados para acolher e orientar.

“Não é ficar debatendo ou discutindo com o agressor que fará essa história mudar. É preciso procurar auxílio no lugar certo. Temos pessoas preparadas para ouvir e orientar essa mulher”, enfatizou Fátima.

Entre os canais disponíveis estão a rede municipal de atendimento, a Delegacia de Polícia, a Delegacia Digital e a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher também trabalha para ampliar sua comunicação direta com as mulheres de Nova Olímpia.

A entrevista trouxe ainda um dado importante sobre a realidade local. Segundo Fátima, informações da Polícia Civil apontam que, entre 1º de janeiro e 28 de julho de 2026, 26 mulheres procuraram ajuda e obtiveram medidas protetivas em Nova Olímpia. Desse total, 21 situações resultaram na instauração de inquéritos, representando cerca de 80% dos registros mencionados.

Para Fátima, os números também demonstram que mais mulheres estão encontrando coragem para buscar proteção.

“As mulheres estão sendo mais encorajadas e estão buscando ajuda. O medo não resolve a situação, apenas prolonga a dor”, afirmou.

A mobilização deste ano ocorre ainda em um momento simbólico: a Lei Maria da Penha completa 20 anos, consolidada como um dos principais instrumentos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no país.

Ao abordar a importância da rede de apoio, Fátima fez também um apelo às pessoas que conhecem mulheres vivendo situações de violência. Segundo ela, familiares e amigas podem exercer papel importante ao orientar e encorajar a vítima a procurar atendimento especializado.

“Talvez você não possa tomar a decisão por ela, mas pode encorajá-la a buscar ajuda do jeito certo”, destacou.

Fátima também abordou uma questão relacionada à interpretação religiosa da submissão feminina e foi enfática ao afirmar que nenhuma mulher deve aceitar violência em nome da fé. Cristã, ela ressaltou que a religião não deve ser utilizada como justificativa para agressões ou abusos dentro de uma relação.

“Se em algum momento você ouviu que precisa aceitar ser violentada em nome de Deus, isso não é o que a Bíblia ensina. A mulher deve ser cuidada, amada e protegida”, declarou.

As falas de Nilva Ramos e Fátima Dalposso convergem para a principal mensagem do Agosto Lilás em Nova Olímpia: reconhecer a violência é fundamental, mas encontrar apoio e romper o silêncio pode ser decisivo para mudar uma história.

A orientação é para que mulheres em situação de violência não permaneçam isoladas. A rede de proteção está disponível para acolher, orientar e encaminhar cada caso.

“Procure ajuda. Vença o medo e não se acomode diante da violência”, reforçou Fátima.

O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, também está disponível para informações, orientações e denúncias.

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