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Mais de 90 espécies de sapos do Pantanal ajudam a controlar a saúde do ecossistema

Anfíbios e répteis no Pantanal funcionam como indicadores ambientais e têm potencial medicinal

No Pantanal mato-grossense, cerca de 90 espécies de sapos coexistem em um dos ecossistemas mais diversos do planeta. Esses anfíbios, junto com répteis, não apenas ajudam a manter o equilíbrio ambiental, mas também funcionam como indicadores da saúde dos ecossistemas e possuem potencial medicinal para o ser humano.

Durante o XI Congresso Brasileiro de Herpetologia, realizado em Manaus, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal apresentou o trabalho “Sapos, lagartos e serpentes das áreas naturais protegidas do Sesc Pantanal: da ciência aos cidadãos”, conduzido pelo biólogo Leo Malagoli.

O estudo mostrou como os resultados das pesquisas científicas são aplicados em ações de educação ambiental e atividades comunitárias, garantindo que o conhecimento produzido retorne para a sociedade.

“Participar de eventos como este é fundamental para mostrar a relevância do trabalho que o Sesc Pantanal realiza em suas áreas protegidas e junto às comunidades, no Cerrado e no Pantanal. Nosso objetivo é compartilhar nosso fazer e inspirar iniciativas transformadoras em todos os biomas”, afirma Malagoli.

Herpetos: indicadores ambientais e aliados da saúde humana

Anfíbios e répteis desempenham papéis essenciais nos ecossistemas: controlam populações de pragas, servem de alimento para predadores e indicam a qualidade dos ambientes aquáticos e terrestres. Além disso, compostos químicos presentes na pele de alguns sapos e no veneno de certas serpentes têm potencial medicinal, já sendo estudados para o tratamento de doenças como o câncer.

Sapo Pantanal (Foto: Leo Malagoli)
Anfíbios e répteis do Pantanal de MT, importantes para pesquisas e conservação (Foto: Leo Malagoli)

“Desmistificar a herpetologia significa dialogar sobre preconceitos e lendas populares que envolvem esses animais. No Sesc Pantanal, trabalhamos para que todos conheçam a beleza e a importância dos anfíbios e répteis para os ecossistemas e para a nossa qualidade de vida”, reforça Malagoli.

Áreas naturais protegidas do Sesc Pantanal

O Polo Socioambiental Sesc Pantanal possui três áreas de conservação, que juntas abrigam uma rica diversidade de anfíbios e répteis:

  • RPPN Sesc Pantanal (Barão de Melgaço, MT): cerca de 25 espécies de anfíbios e 40 espécies de répteis.
  • Parque Sesc Baía das Pedras (Pantanal, MT): pelo menos 20 espécies de anfíbios e 30 espécies de répteis.
  • Parque Sesc Serra Azul (Cerrado, MT): 36 espécies de anfíbios e 63 espécies de répteis.

No Pantanal de Mato Grosso, os sapos e répteis catalogados ajudam a monitorar a saúde do ecossistema, servindo como verdadeiros “termômetros biológicos”, e contribuem para pesquisas científicas que podem trazer benefícios diretos à medicina.

Sapo Pantanal (Foto: Leo Malagoli)
Sapo-cururu fêmea, parte da biodiversidade do Sesc Pantanal (Foto: Leo Malagoli)

XI Congresso Brasileiro de Herpetologia

O evento reuniu mais de 1.200 participantes do Brasil e do exterior, promovendo o diálogo entre acadêmicos, comunidades tradicionais, indígenas e tomadores de decisão. Com o tema “Encontro de Saberes Ancestrais e Contemporâneos no Coração da Amazônia”, o congresso reforçou a relevância da herpetofauna brasileira para a ciência, cultura e sociedade.

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