Você já teve a sensação de que o tempo passou mais rápido em determinado dia, mês ou ano? Nesta quarta-feira (9), essa percepção pode ganhar respaldo científico, já que há grande chance de este ser um dos dias mais curtos da história do planeta Terra.
Nos meses de verão no Hemisfério Norte (e inverno no Hemisfério Sul), essa aceleração tem se repetido. Em 5 de julho de 2024, por exemplo, o planeta concluiu sua rotação -1,66 milissegundos antes do tempo previsto — o recorde atual. Casos semelhantes foram registrados em:
- 9 de julho de 2021 (-1,47 milissegundos)
- 30 de junho de 2022 (-1,59 milissegundos)
- 16 de junho de 2023 (-1,31 milissegundos)
Agora, cientistas projetam que o fenômeno se repetirá em 2025, com destaque para três datas: 9 de julho, 22 de julho e 5 de agosto.
No dia 9 de julho, a rotação pode ser concluída de 1,30 a 1,51 milissegundos mais cedo que o padrão.
Esse encurtamento está ligado, entre outros fatores, à posição da Lua em relação ao Equador, que afeta a força gravitacional exercida sobre a Terra. Quando o satélite natural está mais distante da Linha do Equador, sua influência diminui.
Por que isso acontece?
Embora a consiga medir com precisão essa variação, ainda não há consenso sobre suas causas. O pesquisador Leonid Zotov, considerado uma referência internacional no estudo da rotação da Terra, afirma que modelos atuais que envolvem oceanos e atmosfera não explicam completamente essa aceleração.
“Modelos oceanográficos e atmosféricos não são suficientes para explicar essa grande aceleração”, pontua Zotov.
Graham Jones sugere que mudanças no núcleo do planeta podem estar envolvidas. No entanto, o fato de os relógios atômicos só existirem desde a década de 1950 dificulta a análise de padrões em escalas de tempo mais amplas.
Apesar das incertezas, Zotov acredita que o planeta pode estar se aproximando de uma nova fase: a desaceleração. Ou seja, o ritmo acelerado da Terra, que pode deixar o dia 9 de julho mais curto, deve diminuir nos próximos anos.

