Os anos 90 são lembrados com um carinho especial, uma década que parece um mundo à parte, especialmente para quem viveu a infância e a adolescência nesse período. Era uma época de transição, onde a tecnologia começava a dar seus primeiros passos, mas a vida ainda era resolvida de formas muito analógicas.
O sentimento de nostalgia por essa era é constante, e ele não vive apenas nas músicas, filmes e brinquedos, mas também nos objetos que eram indispensáveis em qualquer lar. Esta lista é uma viagem no tempo, um convite para relembrar 10 coisas que toda casa brasileira tinha nos anos 90.

Antes do Google, a grande fonte de conhecimento para os trabalhos de escola era a coleção de enciclopédias. Em uma época em que a internet era um luxo para poucos, esses livros robustos, organizados em ordem alfabética, eram o portal para temas de ciência, geografia e história.
Fazer uma pesquisa significava folhear volumes, ler verbetes e, muitas vezes, reescrever tudo à mão. Ao lado da enciclopédia, quase sempre havia um dicionário, o fiel escudeiro para tirar dúvidas sobre a grafia correta das palavras. Era o kit de sobrevivência de qualquer estudante dos anos 90.

Assistir a um filme nos anos 90 era um ritual que começava na locadora e terminava na sala de casa, com o videocassete. Este aparelho era o centro do entretenimento familiar, o portal para os grandes lançamentos do cinema que chegavam em fitas VHS.
Mas sua utilidade ia além. O videocassete também era uma máquina do tempo pessoal, permitindo gravar a programação da TV. Perder o último capítulo da novela ou aquele filme que passava tarde da noite não era um problema: bastava programar a gravação e assistir quando quisesse, com direito a rebobinar a fita no final.

O cemitério de garrafas retornáveis
Antes das garrafas PET dominarem o mercado, as bebidas vinham em garrafas de vidro retornáveis. Isso significava que, para comprar um novo refrigerante, era preciso levar o “casco” vazio ao mercado. O resultado? Toda casa tinha um canto, geralmente no quintal ou na área de serviço, com um engradado cheio de garrafas esperando a próxima troca.
Com o tempo, as garrafas PET se tornaram o padrão, e esses engradados foram esquecidos. Não é raro encontrar um deles até hoje, abandonado em algum quintal, coberto de mato, como uma relíquia de uma época em que o consumo era um ciclo de ida e volta.

A galinha azul que botava ovos
Nos anos 90, a disputa entre as marcas de caldo de galinha Knorr e Maggi era acirrada. Para se destacar, a Maggi criou um mascote inesquecível: uma galinha branca com pintinhas azuis. A personagem estrelou diversas ações promocionais, mas uma delas se tornou um ícone.
A marca lançou um pequeno brinquedo da galinha que, ao ser pressionada no chão, “botava” ovinhos de plástico. O sucesso foi tão grande que o brinquedo se espalhou pelas casas do Brasil. Era comum chegar na casa de um amigo ou parente e encontrar a galinha azul da Maggi, seja como enfeite na cozinha ou entre os brinquedos das crianças.

A água fresca do filtro de barro
Antes dos purificadores elétricos, o filtro de barro era um item indispensável em qualquer cozinha. Seu funcionamento era simples e eficaz: bastava colocar a água da torneira na parte de cima e, após algumas hours, o líquido passava pelo sistema de filtragem de argila e carvão, saindo puro e naturalmente fresco na parte de baixo.
Com o passar dos anos, muitas casas o substituíram por filtros mais modernos, que oferecem água gelada instantaneamente. Apesar disso, o filtro de barro resiste. Muitas famílias ainda o utilizam, e há quem defenda com veemência que a água filtrada no barro tem um gosto muito melhor.

O crochê que protegia tudo
A decoração das casas brasileiras nos anos 90 tinha um elemento onipresente: o crochê. Não havia objeto que não pudesse ser coberto por uma capinha de crochê, feita com esmero pela avó ou pela mãe. Do botijão de gás ao galão de água, passando pelo liquidificador e até mesmo pelo recém-chegado computador, tudo ganhava uma “roupinha” para proteger do pó e dar um toque de cor.
É difícil explicar a lógica por trás dessa febre, mas o fato é que as capinhas de crochê eram um símbolo da época. Com o tempo, assim como outros artefatos dos anos 90, elas foram desaparecendo, dando lugar a uma estética mais minimalista.

O altar da comunicação
Em uma era sem a praticidade dos celulares, o telefone fixo era o centro da comunicação da casa e, como tal, merecia um espaço dedicado. Geralmente, era uma pequena mesinha de canto, que funcionava como um verdadeiro “altar da comunicação”.
Sobre ela, repousava não apenas o aparelho, com seu fio espiralado, mas também seu companheiro inseparável: a lista telefônica. Aquele livro grosso e amarelado era o “Google” da época, o único lugar para encontrar o número de uma pizzaria, de um amigo ou de qualquer serviço. Com a chegada dos telefones sem fio e, principalmente, da internet, esse cantinho sagrado da casa foi se tornando obsoleto.

A máquina de brilho e diversão
Os pisos de taco ou de madeira eram muito comuns nos anos 90, e para mantê-los brilhando, havia uma ferramenta essencial: a enceradeira. Com seu disco giratório e um pouco de cera, este objeto transformava o chão opaco em um espelho reluzente.
Além de sua função na limpeza, a enceradeira tinha um apelo irresistível para as crianças. Era comum aproveitar um momento de distração dos adultos para “pilotar” a máquina, girando pela sala até levar uma bronca. Hoje, com a popularização de outros tipos de piso, a enceradeira se tornou uma raridade, mas a memória de seu barulho e de seu brilho permanece.

A coleção de copos de requeijão
Reutilizar potes de vidro de requeijão ou massa de tomate como copos é um hábito que persiste até hoje. Nos anos 90, no entanto, esses itens tinham um charme especial: eles eram colecionáveis.
Muitas marcas lançavam copos estampados com temas de desenhos animados. Os mais comuns eram os da Looney Tunes e os da turma do Mickey. Toda casa tinha pelo menos um copo do Pernalonga ou do Patolino, e era uma pequena alegria poder escolher seu personagem favorito na hora do suco. É bem provável que alguns desses copos ainda existam, guardados no fundo de algum armário.

O mural de recados da geladeira
Assim como as capinhas de crochê, a geladeira também era um espaço para decoração. A porta era frequentemente coberta por uma coleção de ímãs de todos os tipos. Havia os decorativos, em formato de frutas ou personagens, que davam um estilo próprio à cozinha.
Mas os mais importantes eram os funcionais: os ímãs com o número de telefone da pizzaria do bairro, da farmácia ou da entrega de gás. A geladeira funcionava como um mural de recados e uma agenda de contatos rápidos. Com a facilidade de encontrar tudo na internet, a função útil desses ímãs se perdeu, mas eles ainda sobrevivem, como fósseis de uma era mais analógica, na porta da geladeira de algum parente mais velho.



