Celebrado neste dia 23 de maio, o Dia Mundial da Tartaruga reforça um alerta urgente: quelônios — grupo que inclui tartarugas, cágados e jabutis — seguem ameaçados pela poluição, destruição de habitats e mudanças climáticas. A data foi criada pela organização norte-americana American Tortoise Rescue e é lembrada desde 2000 como um convite global à preservação da biodiversidade.
No mundo, existem 357 espécies reconhecidas de quelônios. Desse total, 39 espécies diferentes podem ser observado dentro do Brasil, sendo:
- 32 de água doce;
- 5 cinco marinhas;
- 2 terrestres.
Apesar da diversidade, muitas enfrentam risco devido à ação humana e ao aquecimento global, que já começa a alterar até mesmo a reprodução desses animais.
A importância das tartarugas
Mais do que símbolos de longevidade, as tartarugas exercem papel vital nos ecossistemas. Elas ajudam a manter o equilíbrio da cadeia alimentar e conectam ambientes aquáticos e terrestres.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pelo Programa Quelônios da Amazônia (PQA), essas espécies são fundamentais para o funcionamento da natureza.
“Os animais são um importante componente da cadeia trófica, além de elo ecológico entre ambientes aquáticos e terrestres”, explica a coordenadora nacional do PQA, Edelin Ribas.

Na Amazônia, espécies como a tartaruga-da-amazônia, o pitiú e o tracajá são majoritariamente herbívoras. Ao se alimentarem de frutos, elas transformam matéria vegetal em proteína e ainda contribuem para a dispersão de sementes, ajudando na regeneração da floresta.
Você sabia?
A sobrevivência das tartarugas marinhas pode ser definida ainda dentro dos ovos, e diretamente influenciada pela temperatura.
A chamada “determinação sexual térmica” faz com que o calor da areia determine o sexo dos filhotes:
- Temperaturas mais baixas geram mais machos;
- Temperaturas mais altas produzem mais fêmeas.
O grande problema é que extremos térmicos também reduzem a taxa de nascimento desses animais. Com o aumento das temperaturas globais, pesquisadores temem um desequilíbrio entre machos e fêmeas e a diminuição no número de filhotes ao redor do mundo.

No Brasil, a Fundação Projeto Tamar atua para minimizar esses impactos. A iniciativa monitora cerca de 1.100 km do litoral e coleta dados sobre incubação, predadores e taxas de nascimento. Também realiza ações práticas, como proteção de ninhos contra calor excessivo.
Diferença entre jabuti, cágado e tartarugas?
Apesar de frequentemente confundidos, jabutis, cágados e tartarugas possuem características e hábitos bem distintos.
Jabuti
- Vive em ambiente terrestre;
- Possui casco alto e pesado;
- Têm patas robustas, semelhantes às de um elefante, e não sabem nadar.
- Alimenta-se principalmente de vegetais.
Cágado
- Vive em água doce, mas também utiliza a terra firme.
- Possui casco leve;
- Têm patas com membranas que facilitam o nado;
- Alimentação variada, com predomínio de proteína animal.
Tartaruga:
- Vive em água, principalmente marinha;
- Possui casco adaptado à vida no oceano;
- Têm nadadeiras formato de remo;
- Alimentação variada, variando entre proteína animal e vegetais;
- Sai da água apenas para reprodução.
Vale lembrar que entender essas diferenças é essencial para a conservação adequada de cada uma das espécies.

Instituições que ajudam a fauna
Projeto Tamar
Referência mundial, o Projeto Tamar atua desde a década de 1980 na proteção das tartarugas marinhas no Brasil. Presente em 23 localidades de oito estados, a iniciativa já ajudou a proteger mais de 40 milhões de filhotes.
Além da conservação, o projeto promove educação ambiental, inclusão social e turismo sustentável, recebendo cerca de 1 milhão de visitantes por ano e gerando mais de 2 mil empregos diretos.

Bioparque Pantanal
Em Campo Grande (MS), o Bioparque Pantanal também contribui para a conscientização sobre os quelônios. Em publicação especial pelo Dia Mundial da Tartaruga, o espaço destacou as diferenças entre jabutis, cágados e tartarugas e apresentou espécies presentes no complexo.
Considerado o maior aquário de água doce do mundo, o bioparque abriga animais com acompanhamento constante de veterinários, biólogos e zootecnistas, garantindo bem-estar e educação ambiental ao público.



