domingo, 24 maio 2026
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Dia Mundial da Tartaruga: por que preservar é urgente?

Espécies ajudam no equilíbrio ambiental, mas enfrentam riscos cada vez maiores

Celebrado neste dia 23 de maio, o Dia Mundial da Tartaruga reforça um alerta urgente: quelônios — grupo que inclui tartarugas, cágados e jabutis — seguem ameaçados pela poluição, destruição de habitats e mudanças climáticas. A data foi criada pela organização norte-americana American Tortoise Rescue e é lembrada desde 2000 como um convite global à preservação da biodiversidade.

No mundo, existem 357 espécies reconhecidas de quelônios. Desse total, 39 espécies diferentes podem ser observado dentro do Brasil, sendo:

  • 32 de água doce;
  • 5 cinco marinhas;
  • 2 terrestres.

Apesar da diversidade, muitas enfrentam risco devido à ação humana e ao aquecimento global, que já começa a alterar até mesmo a reprodução desses animais.

A importância das tartarugas

Mais do que símbolos de longevidade, as tartarugas exercem papel vital nos ecossistemas. Elas ajudam a manter o equilíbrio da cadeia alimentar e conectam ambientes aquáticos e terrestres.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pelo Programa Quelônios da Amazônia (PQA), essas espécies são fundamentais para o funcionamento da natureza.

“Os animais são um importante componente da cadeia trófica, além de elo ecológico entre ambientes aquáticos e terrestres”, explica a coordenadora nacional do PQA, Edelin Ribas.

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Papel ecológico dos quelônios vai muito além do que parece. (Foto: Ibama)

Na Amazônia, espécies como a tartaruga-da-amazônia, o pitiú e o tracajá são majoritariamente herbívoras. Ao se alimentarem de frutos, elas transformam matéria vegetal em proteína e ainda contribuem para a dispersão de sementes, ajudando na regeneração da floresta.

Você sabia?

A sobrevivência das tartarugas marinhas pode ser definida ainda dentro dos ovos, e diretamente influenciada pela temperatura.

A chamada “determinação sexual térmica” faz com que o calor da areia determine o sexo dos filhotes:

  • Temperaturas mais baixas geram mais machos;
  • Temperaturas mais altas produzem mais fêmeas.

O grande problema é que extremos térmicos também reduzem a taxa de nascimento desses animais. Com o aumento das temperaturas globais, pesquisadores temem um desequilíbrio entre machos e fêmeas e a diminuição no número de filhotes ao redor do mundo.

Aquecimento global já interfere no sexo dos filhotes e preocupa pesquisadores. (Foto: Projeto Tamar)
Aquecimento global já interfere no sexo dos filhotes e preocupa pesquisadores. (Foto: Projeto Tamar)

No Brasil, a Fundação Projeto Tamar atua para minimizar esses impactos. A iniciativa monitora cerca de 1.100 km do litoral e coleta dados sobre incubação, predadores e taxas de nascimento. Também realiza ações práticas, como proteção de ninhos contra calor excessivo.

Diferença entre jabuti, cágado e tartarugas?

Apesar de frequentemente confundidos, jabutis, cágados e tartarugas possuem características e hábitos bem distintos.

Jabuti

  • Vive em ambiente terrestre;
  • Possui casco alto e pesado;
  • Têm patas robustas, semelhantes às de um elefante, e não sabem nadar.
  • Alimenta-se principalmente de vegetais.

Cágado

  • Vive em água doce, mas também utiliza a terra firme.
  • Possui casco leve;
  • Têm patas com membranas que facilitam o nado;
  • Alimentação variada, com predomínio de proteína animal.

Tartaruga:

  • Vive em água, principalmente marinha;
  • Possui casco adaptado à vida no oceano;
  • Têm nadadeiras formato de remo;
  • Alimentação variada, variando entre proteína animal e vegetais;
  • Sai da água apenas para reprodução.

Vale lembrar que entender essas diferenças é essencial para a conservação adequada de cada uma das espécies.

Tartaruga tigre d'água uma espécie de cágado encontrado no Brasil. (Foto: Bioparque Pantanal)
Cágado tigre d’água encontrado no Brasil. (Foto: Bioparque Pantanal)

Instituições que ajudam a fauna

Projeto Tamar

Referência mundial, o Projeto Tamar atua desde a década de 1980 na proteção das tartarugas marinhas no Brasil. Presente em 23 localidades de oito estados, a iniciativa já ajudou a proteger mais de 40 milhões de filhotes.

Além da conservação, o projeto promove educação ambiental, inclusão social e turismo sustentável, recebendo cerca de 1 milhão de visitantes por ano e gerando mais de 2 mil empregos diretos.

Projeto Tamar já protegeu milhões de tartarugas no Brasil. (Foto: Projeto Tamar)
Projeto Tamar já protegeu milhões de tartarugas no Brasil. (Foto: Projeto Tamar)

Bioparque Pantanal

Em Campo Grande (MS), o Bioparque Pantanal também contribui para a conscientização sobre os quelônios. Em publicação especial pelo Dia Mundial da Tartaruga, o espaço destacou as diferenças entre jabutis, cágados e tartarugas e apresentou espécies presentes no complexo.

Considerado o maior aquário de água doce do mundo, o bioparque abriga animais com acompanhamento constante de veterinários, biólogos e zootecnistas, garantindo bem-estar e educação ambiental ao público.

Visitantes têm contato direto com jabutis e cágados em Campo Grande. (Foto: Bioparque Pantanal)
Visitantes têm contato direto com jabutis e cágados em Campo Grande. (Foto: Bioparque Pantanal)
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