O vidro é um produto usado há milênios — mais precisamente, desde cerca de 5.000 a.C. Por quase todo esse tempo, ele foi produzido artesanalmente, com os criadores derretendo a matéria-prima e a retirando em pequenas quantidades, aplicando técnicas como moldagem e sopragem para dar forma ao produto final. No final da Idade Média, o vidro ainda era tão caro que era comum para os nobres armazenarem suas janelas para protegê-las de roubos quando eles se ausentavam por longos períodos.
Foi só na Revolução Industrial, na metade do século 18, que o vidro realmente começou a ficar barato e se popularizar, passando a ser usado pela classe média e também em larga escala em prédios. Hoje, existem dois tipos principais: o vidro plano, utilizado para janelas, vitrines, para-brisas de automóveis e afins, e o vidro oco, utilizado principalmente em embalagens (como garrafas) e itens domésticos (copos).
No que se trata do vidro plano, foi no século 20 que as descobertas vieram uma após a outra: em 1901, o belga Émile Fourcault produziu vidro plano por estiramento pela primeira vez (até o século 19, era necessário um processo manual). Em 1917, o Método Colburn (ou Método Libbey-Owens) aprimorou as ideias de Fourcault e conseguiu, de forma inédita, uma chapa industrial totalmente reta. Finalmente, em 1959, o britânico Alastair Pilkington patenteou o chamado “processo float”, em que o vidro derretido flutuava sobre estanho líquido.
Hoje, ainda se utiliza o Método Foucault, por meio do qual o vidro é estirado verticalmente por uma série de roletes. Mas, para a indústria, a preferência é pelo método float, que permite obter chapas perfeitamente retas e transparentes. É ele que é usado até hoje em todo o mundo para produzir o vidro plano industrial, permitindo fazer desde janelas e vitrines até as telas dos nossos celulares.
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Passo a passo para fabricação do vidro
O vidro é produzido a partir de minerais como sílica (areia), potássio, alumina, sódio (barrilha), magnésio e cálcio. Após extraídos da natureza, esses materiais são levados às fábricas, onde passarão por um longo processo dentro dos fornos, que podem ter até 300 metros de comprimento. Devido ao seu tamanho, esses fornos não podem ser transportados: eles são construídos no local onde vão funcionar e, ao fim de sua vida útil, são desativados.
Os minerais podem também ser misturados a cacos de vidro (proveniente de reciclagem ou de sobras internas). Todo esse material sólido é misturado com precisão e depois colocado em um forno, onde será fundido a aproximadamente 1.000ºC. Após esse processo, há dois caminhos: na indústria de vidro oco, a massa pastosa e extremamente quente é despejada sobre moldes, sobre os quais agirão máquinas de sopro mecânico e prensas, modelando o vidro exatamente no formato desejado. Em seguida, ocorre o chamado recozimento, que nada mais é que resfriar o vidro de forma controlada até a temperatura ambiente.
Na indústria de vidro plano, a massa pastosa de vidro fundido é cuidadosamente derramada sobre um tanque de estanho líquido. O vidro não se mistura ao estanho (assim como a água não se mistura ao óleo) e flutua sobre ele, espalhando-se de maneira uniforme, o que garante que o produto final fique perfeitamente liso. Nessa etapa, o fabricante também define a espessura do vidro, que é obtida controlando a velocidade com que a chapa de vidro se move e se solidifica.
Em seguida, vem o recozimento, que, segundo os fabricantes, é essencial para “eliminar as tensões internas e garantir que o vidro tenha (…) não apenas a resistência necessária, mas também uma qualidade superior em termos de claridade e uniformidade”.
Com isso, ficam prontas as chapas, que podem ser utilizadas em diversas aplicações. É muito comum que, após a fabricação, o vidro passe por processos adicionais de transformação ou beneficiamento, como a têmpera. O vidro temperado é aquecido e depois resfriado rapidamente, de modo que fica até cinco vezes mais resistente que um vidro comum. Além disso, quando quebrado, o vidro temperado se parte em diversas pequenas peças, evitando a formação de estacas, que poderiam machucar.
Uma curiosidade: de acordo com a definição científica, o vidro é um sólido com propriedades de líquido. Mas isso é papo para outro texto.








