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Um estado que produz tanto não pode falhar com sua juventude

Mato Grosso é um estado jovem, forte e cheio de oportunidades. Somos referência nacional na produção de alimentos, atraímos investimentos e contribuímos de forma decisiva para o crescimento do Brasil. Mas nenhum indicador econômico pode nos deixar indiferentes diante de uma realidade preocupante: estamos perdendo nossos jovens para a violência.

O Atlas da Violência 2026 revela que Mato Grosso registrou 536 homicídios de jovens entre 15 e 29 anos em 2024, uma taxa de 57,2 mortes para cada 100 mil jovens, a sétima maior do país. Entre 2019 e 2024, o número de vítimas no estado cresceu 46,4%. No mesmo período, o Brasil registrou queda de 15,1% no número de homicídios de jovens. Enquanto o país avançava na redução dessas mortes, Mato Grosso caminhou na direção contrária.

Estamos falando de jovens que deveriam estar estudando, trabalhando, empreendendo e ajudando a construir o futuro do nosso estado. Enfrentar essa realidade exige mais do que reação. Exige prevenção, inteligência na segurança pública e políticas capazes de chegar antes que o crime chegue.

A violência precisa ser enfrentada com força policial, investigação, inteligência, integração entre as forças de segurança e presença efetiva do estado. Por isso, é fundamental fortalecer a segurança pública e garantir condições para que ela atue com firmeza contra o crime. Ao mesmo tempo, é preciso ampliar as oportunidades para os jovens, com educação, apoio às famílias, esporte, qualificação profissional e acesso ao primeiro emprego.

Dados do IBGE mostram que 17,5% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos não estavam trabalhando, estudando ou se qualificando em 2025. Entre os jovens que abandonaram ou nunca frequentaram a escola e não concluíram o ensino médio, a necessidade de trabalhar foi o principal motivo.

Precisamos aproximar a educação da vida real e das oportunidades do mercado de trabalho. Mato Grosso deve ampliar a formação técnica e profissional, criar pontes entre escolas, institutos de ensino e empresas, fortalecer programas de primeiro emprego e garantir oportunidades também aos jovens do interior e das regiões de fronteira.

Uma política séria para a juventude precisa identificar os territórios onde a evasão escolar, o aliciamento pelo crime e a falta de oportunidades são mais graves. É justamente nesses lugares que o poder público precisa estar mais presente.

Não existe solução simples para um problema tão complexo. Segurança pública, educação, emprego, esporte, cultura e fortalecimento das famílias precisam caminhar juntos. Uma coisa, porém, é certa: abandonar nossos jovens custa muito mais caro do que investir neles.

Proteger a juventude não é apenas uma pauta de segurança pública. É uma estratégia de desenvolvimento. O futuro de Mato Grosso não será medido apenas pelo quanto produzimos, mas também pelas oportunidades que conseguimos oferecer às novas gerações. Cuidar dos nossos jovens é cuidar da nossa gente e do futuro do nosso estado.

*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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