Você sabe se a cidade onde mora está melhorando? A pergunta parece simples, mas a resposta nem sempre é. Uma obra nova chama atenção, uma propaganda bem produzida transmite sensação de avanço e um discurso convincente pode criar a impressão de que tudo está melhor. Mas sensação não é indicador, propaganda não é evidência e promessa não é resultado.
Em 2026, os brasileiros voltarão às urnas para escolher deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da República. Em meio a campanhas, promessas e disputas políticas, uma boa forma de escolher pode começar pelo lugar onde cada eleitor vive: como estão a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura, as contas públicas e as oportunidades de trabalho? E, principalmente, esses resultados estão melhorando?
É MAIS SIMPLES DO QUE PARECE
O cidadão não precisa ser especialista em administração pública para começar a responder essas perguntas. Existem diversas ferramentas que permitem consultar informações públicas, acompanhar indicadores e comparar municípios. Uma delas é o IGMA — Índice de Gestão Municipal Aquila, que, em sua metodologia de 2026, reúne 98 indicadores distribuídos em seis áreas: Governança, Eficiência Fiscal e Transparência; Educação; Saúde e Bem-Estar; Infraestrutura e Sustentabilidade; Segurança Pública; e Desenvolvimento Socioeconômico.
Na prática, isso permite trocar o discurso genérico por perguntas objetivas. Quer saber como sua cidade está na educação? Consulte os indicadores. Quer avaliar a saúde, a segurança, a infraestrutura ou as contas públicas? Compare os resultados. A lógica é simples: em vez de apenas ouvir o que dizem sobre a cidade, veja o que os números mostram.
MAS TODO NÚMERO CONTA A HISTÓRIA INTEIRA?
Não. Esse é um cuidado importante para quem começa a utilizar indicadores públicos. Um índice não explica sozinho a realidade de um município. Os dados podem ser atualizados e aperfeiçoados, enquanto os resultados de uma cidade sofrem influência de fatores históricos, econômicos e sociais, além das políticas executadas pelos diferentes níveis de governo.
Por isso, indicador não deve ser tratado como sentença. É uma ferramenta para fazer perguntas melhores. Muitos dos dados utilizados nas avaliações municipais já são produzidos por bases oficiais, como as informações do mercado de trabalho do Novo Caged e os dados contábeis, orçamentários e fiscais encaminhados pelos municípios ao Tesouro Nacional por meio do Siconfi. São informações que ajudam a enxergar aquilo que muitas vezes fica escondido atrás de discursos e slogans.
NÃO CONFUNDA RANKING COM REALIDADE
Se sua cidade aparece bem colocada, faça uma pergunta incômoda: bem em relação a quem? Um município pode liderar determinado indicador em seu Estado e, ainda assim, apresentar desempenho apenas mediano quando comparado com outros municípios brasileiros. Da mesma forma, uma cidade que não ocupa o primeiro lugar pode apresentar resultados expressivos em determinadas áreas.
Ser o melhor entre os piores não é o mesmo que ser excelente. Por isso, a comparação precisa considerar contexto, características do município e evolução ao longo do tempo. Mais importante do que descobrir quem está no topo hoje é compreender quem está avançando, em quais áreas e por quê. Uma fotografia mostra uma situação; uma sequência de fotografias mostra uma trajetória.
A QUEM PERTENCE CADA RESULTADO?
Há outra pergunta que o eleitor precisa aprender a fazer: quem é responsável pelo quê? Um prefeito não controla tudo o que acontece em seu município. Governadores e o presidente também não. Municípios, Estados e União possuem competências próprias, mas muitas políticas públicas são compartilhadas, tanto no financiamento quanto na execução.
Saúde, educação, segurança, infraestrutura e assistência social podem envolver diferentes níveis de governo. Por isso, antes de elogiar ou criticar, é preciso saber quem tem a responsabilidade, quem financia, quem executa e quem fiscaliza. Essa distinção evita atribuir ao governante aquilo que não depende dele e, ao mesmo tempo, deixar de cobrar aquilo que efetivamente está sob sua responsabilidade.
E OS PARLAMENTARES?
A mesma lógica vale para deputados estaduais, deputados federais e senadores. Eles representam a população, participam do processo legislativo, fiscalizam o Executivo e podem contribuir para a destinação de recursos por meio de emendas parlamentares. Mas anunciar uma emenda não é entregar resultado.
O cidadão deveria perguntar: quanto foi destinado? Para onde foi? Quem recebeu? O recurso foi efetivamente aplicado? Qual problema pretendia resolver? O benefício chegou à população? Qual resultado pode ser comprovado? Essas perguntas não são acusações. São exercício de cidadania. Dinheiro público precisa deixar rastro. E resultado precisa deixar evidência.
NÃO ACREDITE. NÃO DESCONFIE. CONFIRA.
Se alguém disser que a saúde melhorou, procure os indicadores. Se afirmar que a educação avançou, compare os resultados. Se disser que as contas estão equilibradas, consulte os dados fiscais. Se um parlamentar afirmar que levou recursos para sua cidade, procure saber quanto foi destinado, onde foi aplicado e qual resultado produziu.
Não é preciso acreditar cegamente na propaganda. Também não é preciso desconfiar de tudo. É preciso conferir. O IGMA é apenas uma das ferramentas disponíveis. Portais de transparência, bases oficiais, tribunais de contas, órgãos de controle e outras fontes também podem ajudar. Quanto mais informações forem confrontadas, maior será a capacidade de formar uma opinião própria.
FAÇA O TESTE NA SUA CIDADE
Agora faça uma experiência. Pesquise o nome do seu município, observe os indicadores e veja em quais áreas ele apresenta melhores resultados e em quais enfrenta maiores desafios. Compare com outras cidades do Estado e, depois, com municípios semelhantes de outras regiões do Brasil.
Se puder, acompanhe os resultados ao longo do tempo. Uma cidade pode ocupar uma posição confortável e estar parando no tempo. Outra pode enfrentar problemas importantes e, ainda assim, estar avançando rapidamente. Por isso, talvez seja mais importante saber para onde a cidade está indo do que simplesmente descobrir onde ela está.
UM NOVO RETRATO DAS CIDADES
A edição de 2026 do Prêmio Band Cidades Excelentes utiliza o IGMA como referência e reúne 98 indicadores em seis áreas. Os 5.568 municípios brasileiros estão automaticamente considerados na premiação, conforme as regras estabelecidas. O prêmio pode destacar cidades com bons resultados e experiências que merecem ser conhecidas, mas seu maior valor para o cidadão está na possibilidade de estimular um olhar mais atento sobre a realidade de cada município.
Não se trata apenas de descobrir qual é a “melhor cidade do Brasil”. Trata-se de compreender o que está funcionando, onde existem problemas, quais cidades avançaram e o que pode ser aprendido com elas. Afinal, uma boa gestão pública não deveria servir apenas para produzir um troféu. Deveria produzir uma vida melhor para quem mora na cidade.
ANTES DE VOTAR, CONHEÇA A REALIDADE
Em ano eleitoral, veremos obras, vídeos, discursos, inaugurações, promessas e campanhas cuidadosamente produzidas para conquistar votos. Isso faz parte da democracia. Mas democracia não é apenas escolher. É escolher com informação.
Antes de acreditar que uma cidade está melhor porque alguém disse que está, procure os dados. Antes de concluir que uma gestão foi boa ou ruim, compare. Antes de cobrar um governante, descubra se aquela responsabilidade é realmente dele. Antes de votar em um parlamentar, procure saber o que ele fez, quais recursos ajudou a destinar e, principalmente, quais resultados podem ser comprovados.
O IGMA não diz em quem você deve votar. Nenhum indicador deveria fazer isso. A decisão é sua. Mas uma decisão baseada em informação tende a ser melhor do que uma decisão baseada apenas em impressão. O cidadão não precisa aceitar o discurso pronto nem transformar o ranking em sentença. Precisa usar os dados para pensar, comparar e fazer perguntas melhores.
SUA CIDADE ESTÁ MELHORANDO?
Consulte os 98 indicadores da metodologia de 2026 e descubra como seu município se posiciona nas áreas de Governança, Eficiência Fiscal e Transparência; Educação; Saúde e Bem-Estar; Infraestrutura e Sustentabilidade; Segurança Pública; e Desenvolvimento Socioeconômico. Compare os resultados, observe a evolução e procure compreender as diferenças entre os municípios.
Veja quais cidades apresentam melhores resultados e quais enfrentam maiores desafios. Mas, sobretudo, descubra onde está a sua. Depois, vá além do ranking: pergunte em quais áreas avançamos, em quais estamos ficando para trás, o que mudou nos últimos anos, quem é responsável por cada resultado, quanto dinheiro público foi destinado, onde foi aplicado e qual benefício chegou efetivamente à população.
Talvez você descubra que sua cidade está melhor do que imaginava. Talvez descubra que ainda há muito a melhorar. Em qualquer dos casos, terá dado um passo importante: trocar uma opinião baseada apenas em discurso por uma opinião baseada também em informação. Quem conhece os números não precisa aceitar o discurso pronto. Pode fazer suas próprias perguntas. E quem faz perguntas melhores também pode fazer escolhas melhores.
E, SE ESTÁ MELHORANDO, MELHORANDO EM RELAÇÃO A QUEM?
Consulte o IGMA:
https://igma.aquila.com.br/
Angelo Silva de Oliveira é Mestre em Administração Pública (UFMS) | Especialista em Gestão Pública Municipal (UNEMAT) e em Organização Socioeconômica (UFMT) | Administrador (UFMT) | Auditor Interno NBR ISO 9001:2015








