terça-feira, 16 abril 2024
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Nova droga em circulação tem alto potencial de dependência e riscos associados, diz pesquisadora

Um jovem de 25 anos foi preso ao receber, via Correios, um pacote com 1000 selos de LSD e uma quantidade de uma nova droga sintética denominada 25I-NBOH. O caso aconteceu na última sexta, 25, no Distrito Federal. Também conhecida como 25i, a substância é um dos alucinógenos mais potentes e de maiores riscos associados, que tem se popularizado no Brasil nos últimos anos. A droga também já tem sido consumida em Belém, conforme revelam estudos de laboratórios de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A doutora em neurociências da UFPA, na linha de drogas de abuso, Sabrina Cartágenes, explica que estudos já vêm sendo realizados sobre esse tipo de droga em laboratórios de pesquisa da faculdade de Farmácia e do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) nos últimos anos, e tem constatado que, apesar de já ser comercializada já quase 10 anos, só agora a substância tem ganhado destaque, mas ainda há poucos registros que permitam um mapeamento preciso dos locais de ocorrência no Estado.

“O estudo dessa droga começou em 2010, na Universidade de Berlin, na Alemanha. O objetivo do estudo era analisar o funcionamento de receptores de serotonina no sistema nervoso central. Mas, em algum momento, essa substância começou a ser produzida por laboratórios clandestinos, entrando no mercado de alucinóginos”, explica.

Sabrina conta que, pelo menos desde 2014, a 25I-NBOH passou a circular no Brasil, mesmo ano em que foi regulamentada como uma ‘droga de abuso’, ou seja, uma substância capaz de gerar modificação no sistema nervoso central e dependência. Segundo a classificação dos tipos de drogas de abuso, a 25i se caracterizaria como uma droga perturbadora, ou seja, que gera alucinações.

“Na classificação dos tipos de droga nós temos as depressoras, como o álcool, que diminuem a atividade do sistema nervoso central; as estimulantes, que aumentam a atividade; e as que perturbam, distorcendo a funcionalidade do sistema nervoso central. É desse tipo de droga que estamos falando”, esclarece a pesquisadora.

“Como é uma droga sintética, ou seja, manipulada em laboratório, ela costuma ter uma ação muito mais eficiente. No caso da 25i, os efeitos são mais graves do que os do LSD, porque provoca uma despersonalização do ambiente. A pessoa perde a noção de espaço e dimensões. É como se ela saísse do próprio corpo. Muitos acidentes, casos de pessoas que jogam na frente de carros ou se lançam de sacadas, estão associados ao uso da droga”.

Sabrina destaca que a substância não provoca efeitos perigosos apenas durante o uso, mas também após, consequências que tendem a ser ainda mais graves em adolescentes – grupo que, justamente, tem sido apontado como o principal usuário da 25I-NBOH.

“Alucinações, taquicardia, dilatação da pupila, agitação, hipertensão, delírios, convulsão e desorientação são alguns dos efeitos durante o uso da droga. Mas após o uso, a gente tem observado, principalmente em adolescentes, maior tendência a agressividade, palpitações, ansiedade e depressão, o que, neste grupo, é ainda mais grave, pela própria característica da adolescência, de ser uma fase em que o sistema nervoso sofre maiores flutuações de humor e o organismo passa por várias mudanças hormonais”.

Para a pesquisadora, o grande risco do abuso de substâncias, de modo geral, é que, conforme o organismo se acostuma com uma droga, ele acaba sentindo a necessidade de algo ainda mais forte. Por isso, hoje em dia, drogas como a i25 tem atraído usuários.

Circulação da droga ainda é subnotificada

A subnotificação da ocorrência dessa substância, por órgãos do sistema de segurança, por exemplo, por meio de apreensões, é uma das principais dificuldades em pesquisar e dimensionar o uso da 25i, não só no Pará, mas no Brasil como um todo, aponta Sabrina.As apreensões estão acontecendo. Se você for numa festa de jovens, você vai ver inúmeras substâncias dessas sendo utilizadas. Mas os dados de apreensão e relatórios não são feitos com celeridade, então a gente não tem como acompanhar. O que a gente vem acompanhando são alguns relatórios como os da Anvisa e do Sistema Internacional de Notificação de Drogas, onde essa droga já tem aparecido”.

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