Às vésperas do segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25/10), golpistas usam o nome do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar uma falsa “taxa de regularização” do título. Gustavo Marquini, especialista em segurança digital e fundador do Davi, ecossistema voltado à prevenção de fraudes e à proteção de dados pessoais, alerta que a abordagem explora a preocupação do eleitor em estar apto a votar.
As mensagens informam uma suposta pendência vinculada ao CPF da vítima. O TSE esclarece que os serviços de emissão, transferência e atualização cadastral são gratuitos e que não solicita pagamentos nem dados pessoais ou bancários por WhatsApp, SMS ou e-mail.
“É um golpe de engenharia social. O criminoso não explora uma falha de tecnologia, ele explora a confiança do cidadão na Justiça Eleitoral e a preocupação legítima de estar regular para votar”, afirma Marquini.
Segundo o especialista, o uso de dados verdadeiros ajuda a dar credibilidade à fraude. “A fraude combina três elementos que, juntos, dão aparência de verdade: uma instituição de credibilidade inquestionável, o clima de atenção do período eleitoral e um dado real da vítima, como o CPF.”
Conferir o endereço completo da página é uma das principais medidas de proteção. Os sites oficiais da Justiça Eleitoral usam o domínio “jus.br”, como tse.jus.br. Logotipo, cores e cadeado de segurança não comprovam, isoladamente, a autenticidade do site.
Outro sinal de alerta é a cobrança. “A regularização do título é gratuita. Pode existir multa legítima por faltar à votação sem justificar, mas isso nunca se resolve por um link recebido em mensagem”, afirma Marquini. Eventuais débitos devem ser consultados diretamente nos canais oficiais. No pagamento de multa eleitoral por Pix, o destinatário deve ser o Tesouro Nacional.
O calendário também ajuda a identificar a fraude. O cadastro eleitoral está fechado desde 7 de maio e será reaberto em 3 de novembro. Até lá, estão suspensos os pedidos de alistamento, transferência e revisão cadastral. Pagar uma multa, por si só, não regulariza um título cancelado para votar no segundo turno.
Marquini recomenda manter a atenção depois da eleição. “Quando o cadastro reabrir, em novembro, é provável que venha uma nova onda, desta vez com o pretexto de atualizar dados. O golpe será o mesmo, com outra desculpa.”
Além das cobranças falsas, ocorrências envolvendo urnas exigem cuidado com conclusões precipitadas. No primeiro turno, uma urna foi substituída em Candelária (RS) após a tecla 3 apresentar travamento. A Justiça Eleitoral informou que investigaria a suspeita de uso de cola ou outra interferência no equipamento. Segundo o TRE-RS, os votos registrados antes da troca foram preservados.
O episódio não permite concluir que houve fraude no sistema de votação. Se houver problema com o equipamento, o eleitor deve comunicar imediatamente aos mesários.
Para evitar golpes, a orientação é não clicar em links recebidos sobre pendências eleitorais nem fornecer senhas ou dados bancários. A consulta deve ser feita diretamente no aplicativo e-Título ou no site do TSE.
“Desconfie de quem chega com urgência, já sabendo seus dados, e te direciona para um link. Nesses casos, o caminho seguro é sempre sair da mensagem e procurar o canal oficial por conta própria”, conclui Marquini.








