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Justiça anula julgamento de acusado de dupla tentativa de feminicídio em Sapezal após falha nas gravações

Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou a realização de um novo júri após constatar problemas nos registros audiovisuais de depoimentos e debates; acusado havia sido condenado a um ano de prisão em regime aberto.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou a anulação de um julgamento realizado pelo Tribunal do Júri de Sapezal, envolvendo um homem acusado de tentar matar duas mulheres em maio de 2023. A decisão ocorreu após a identificação de falhas técnicas nas gravações dos depoimentos e debates realizados durante a sessão.

O processo envolve Ivan Hilton Alves, denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por duas tentativas de homicídio qualificado, com a qualificadora de feminicídio.

Conforme a denúncia, o acusado não aceitava o término do relacionamento com uma das vítimas e responsabilizava a outra mulher pela separação.

Insatisfeito com o resultado, o Ministério Público apresentou recurso, argumentando que a decisão dos jurados contrariava as provas reunidas no processo.

Entretanto, durante a análise do recurso, a Segunda Câmara Criminal do TJMT constatou que os registros audiovisuais da sessão estavam incompletos, impossibilitando a avaliação integral dos depoimentos e debates realizados diante dos jurados.

Diante da irregularidade, os desembargadores decidiram anular o julgamento e determinar que o acusado seja submetido a um novo júri.

Novo julgamento deverá ser marcado

A decisão judicial transitou em julgado em 17 de julho de 2026, encerrando a possibilidade de recursos contra a determinação de anulação.

Com isso, o processo retornou à Comarca de Sapezal para que seja agendada uma nova sessão do Tribunal do Júri.

Segundo informações divulgadas pelo portal Olhar Direto, o Ministério Público voltou a se manifestar no processo no início de outubro, solicitando a definição de uma nova data para o julgamento, além da intimação do acusado e das testemunhas que deverão prestar depoimento.

Falhas na estrutura do Tribunal do Júri

O caso também trouxe à tona questionamentos sobre as condições estruturais disponíveis para a realização de julgamentos populares em Sapezal.

De acordo com a reportagem, o município não dispõe de um plenário adequado para as sessões do Tribunal do Júri, situação apontada como um problema para a estrutura necessária à condução e ao registro dos procedimentos judiciais.

A ausência de gravações completas comprometeu a possibilidade de reexaminar as provas orais apresentadas durante o julgamento, tornando necessária a realização de uma nova sessão.

Com a anulação, a condenação de 2024 perdeu seus efeitos, e o caso deverá ser novamente analisado por um conselho de sentença.

Ainda não há informação sobre a data do novo julgamento. O acusado terá assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência durante a continuidade do processo.

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