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Mato Grosso só deu vitória ao PT em 2002; adversários lideram desde 2006

Histórico das eleições presidenciais mostra preferência estadual pelos opositores do partido, em contraste com a sequência de vitórias petistas em Nova Olímpia

Mato Grosso voltou a dar vantagem ao adversário do PT no primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo, 4 de outubro de 2026. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 1.298.581 votos no estado, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 581.681. A diferença de 716.900 votos mantém um histórico observado desde 2006: a liderança dos candidatos que enfrentam o partido nas disputas pela Presidência.

Segundo o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os números de 2026 correspondem à totalização de todas as seções eleitorais de Mato Grosso e se referem exclusivamente ao primeiro turno.

No levantamento que começa em 1994, ano da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência, 2002 foi a única eleição em que o PT ficou à frente em Mato Grosso. Naquele ano, Lula venceu José Serra nos dois turnos. Nas demais disputas do período, os principais adversários do partido lideraram a votação estadual.

De FHC à única vitória de Lula

Em 1994, FHC recebeu 495.956 votos em Mato Grosso, contra 147.307 de Lula. Quatro anos depois, o tucano ampliou a votação para 663.773, enquanto o petista obteve 149.462. As duas eleições foram decididas nacionalmente no primeiro turno.

A mudança ocorreu em 2002. Lula liderou o primeiro turno no estado com 509.151 votos, diante dos 372.068 de Serra. No segundo, o petista alcançou 649.100 votos, contra 542.695 do candidato do PSDB, uma vantagem de 106.405 votos. Foi a eleição que levou Lula pela primeira vez à Presidência da República.

Em 2006, disputa terminou com diferença de apenas 8,8 mil votos

A eleição seguinte marcou o retorno da liderança dos adversários do PT em Mato Grosso, mas com uma disputa apertada no segundo turno.

Geraldo Alckmin, então no PSDB, recebeu 790.320 votos no primeiro turno de 2006, contra 557.244 de Lula. Na segunda votação, a distância diminuiu: Alckmin somou 719.984 votos e Lula, 711.177. A diferença foi de apenas 8.807 votos em todo o estado.

Com Dilma Rousseff como candidata, o PT também ficou em segundo lugar nas duas eleições seguintes. Em 2010, José Serra venceu os dois turnos em Mato Grosso e encerrou a disputa estadual com 762.905 votos, contra 729.747 de Dilma. Em 2014, Aécio Neves liderou as duas votações e chegou a 865.610 votos no segundo turno, diante dos 717.412 da petista.

Bolsonaro ampliou a vantagem sobre o PT

Em 2018, Jair Bolsonaro, então no PSL, recebeu 981.119 votos no primeiro turno em Mato Grosso, enquanto Fernando Haddad somou 404.604. No segundo, Bolsonaro alcançou 1.085.824 votos, contra 549.001 do petista, uma diferença de 536.823 votos.

Naquele ano, Lula estava preso e teve seu pedido de registro de candidatura negado pelo TSE. Haddad assumiu a candidatura presidencial do PT e disputou a votação de outubro.

Em 2022, com Lula novamente candidato, Bolsonaro manteve a liderança estadual. Já pelo PL, recebeu 1.102.866 votos no primeiro turno, contra 633.748 do petista. No segundo, foram 1.216.730 votos para Bolsonaro e 652.786 para Lula, uma vantagem de 563.944 votos.

Confira a votação do PT e de seus principais adversários em Mato Grosso

Eleição Turno Candidato do PT — votos Principal adversário — votos
1994 1º Lula — 147.307 FHC (PSDB) — 495.956
1998 1º Lula — 149.462 FHC (PSDB) — 663.773
2002 1º Lula — 509.151 José Serra (PSDB) — 372.068
2002 2º Lula — 649.100 José Serra (PSDB) — 542.695
2006 1º Lula — 557.244 Geraldo Alckmin (PSDB) — 790.320
2006 2º Lula — 711.177 Geraldo Alckmin (PSDB) — 719.984
2010 1º Dilma Rousseff — 659.771 José Serra (PSDB) — 678.614
2010 2º Dilma Rousseff — 729.747 José Serra (PSDB) — 762.905
2014 1º Dilma Rousseff — 616.411 Aécio Neves (PSDB) — 693.755
2014 2º Dilma Rousseff — 717.412 Aécio Neves (PSDB) — 865.610
2018 1º Fernando Haddad — 404.604 Jair Bolsonaro (PSL) — 981.119
2018 2º Fernando Haddad — 549.001 Jair Bolsonaro (PSL) — 1.085.824
2022 1º Lula — 633.748 Jair Bolsonaro (PL) — 1.102.866
2022 2º Lula — 652.786 Jair Bolsonaro (PL) — 1.216.730
2026 1º Lula — 581.681 Flávio Bolsonaro (PL) — 1.298.581

Em negrito, o candidato mais votado no estado em cada turno. Fonte: arquivos oficiais de votação e sistema de resultados do TSE. Não houve segundo turno presidencial em 1994 e 1998.

Nova Olímpia seguiu caminho diferente do estado

O histórico estadual contrasta com o de Nova Olímpia. Entre 2002 e 2022, o município deu a liderança ao PT nos dois turnos de todas as eleições presidenciais, com exceção de 2018. Isso significa que, em 2006, 2010, 2014 e 2022, a maioria dos votos válidos dos nova-olimpienses ficou com o candidato petista, enquanto Mato Grosso favoreceu o adversário.

Mesmo em 2018, quando Bolsonaro venceu tanto no estado quanto no município, a distância local foi pequena: apenas 86 votos no segundo turno, com 3.948 para Bolsonaro e 3.862 para Haddad.

No primeiro turno de 2026, Nova Olímpia acompanhou a preferência estadual. Flávio Bolsonaro recebeu 4.935 votos no município e Lula, 4.303, conforme a apuração oficial do TSE. Foi a primeira vez, desde 2002, que Lula ficou atrás de um adversário na votação nova-olimpiense.

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