quinta-feira, 1 outubro 2026
30.6 C
Nova Olímpia
- Publicidade -
Dengue
- Publicidade -
Inst. BioFlores

A HORA DA LIMPEZA

Quando as instituições começam a revelar suas rachaduras

Talvez estejamos olhando para o lugar errado.
PF dividida.
STF em conflito.
Congresso em permanente disputa.
TSE sob divergências.
PGR questionada.
A primeira reação é pensar:
O sistema está quebrando.
Mas existe outra pergunta.
E se as rachaduras forem também uma oportunidade de enxergar o que estava escondido?
Não é uma conclusão.
É uma hipótese.
E merece ser examinada.
DIVISÃO NÃO É DEPURAÇÃO
Uma instituição dividida pode estar em crise.
Pode estar funcionando sob tensão.
Pode revelar conflitos de competência, interesses, erros ou simplesmente diferentes interpretações.
Por isso, não devemos confundir conflito com limpeza.
A depuração começa depois.
Quando aquilo que veio à tona produz:
transparência.
controle.
responsabilização.
limites.
correção.
Se nada disso acontece, apenas trocamos os personagens.
E o problema continua.
O PROBLEMA NÃO É QUEM OCUPA A CADEIRA
Talvez tenhamos cometido um erro recorrente.
Esperamos encontrar homens bons para salvar instituições.
Mas democracia não deveria depender da bondade de quem ocupa o poder.
Deveria funcionar mesmo quando quem ocupa a cadeira é imperfeito.
Ou pior:
quando é mau.
Essa é a verdadeira prova de uma instituição.
Ela consegue impedir que uma pessoa poderosa faça estragos?
Consegue limitar seus próprios integrantes?
Consegue ser fiscalizada?
Consegue corrigir seus erros?
Se consegue, temos uma instituição.
Se depende da virtude permanente de seus ocupantes, temos uma aposta.
A VERDADEIRA LIMPEZA
Limpeza institucional não é vingança.
Não é colocar “os nossos” no lugar “dos outros”.
Não é destruir instituições.
É corrigir a arquitetura do poder.
Separar autoridade de privilégio.
Independência de impunidade.
Prerrogativa de abuso.
Fiscalização de perseguição.
Política de aparelhamento.
E poder de controle.
TALVEZ ESTA SEJA A HORA
Quando uma parede apresenta uma rachadura, podemos simplesmente pintar por cima.
Fica bonita.
Por algum tempo.
Ou podemos retirar a tinta e descobrir o que existe por baixo.
É mais trabalhoso.
Pode ser desagradável.
Mas é assim que se descobre se o problema é apenas superficial ou estrutural.
Talvez as instituições brasileiras estejam vivendo algo parecido.
As rachaduras apareceram.
Agora precisamos decidir:
vamos escondê-las ou examiná-las?
E O CIDADÃO?
É aqui que a discussão deixa de ser assunto apenas de ministros, parlamentares, procuradores, policiais ou especialistas.
É nossa.
Porque as instituições não pertencem aos homens que momentaneamente ocupam seus cargos.
Pertencem à sociedade.
E existe uma pergunta que todo cidadão deveria fazer:
Eu defenderia esta mesma regra se o poder estivesse nas mãos de alguém de quem eu discordo?
Se a resposta for não, talvez não estejamos defendendo princípios.
Estamos defendendo o nosso lado.
O PONTO CEGO
Talvez a grande lição seja esta:
não precisamos confiar o futuro do país à chegada de homens bons.
Precisamos construir um sistema no qual homens maus tenham dificuldade de causar estragos.
Um sistema com limites.
Contrapesos.
Transparência.
Fiscalização.
Responsabilidade.
E cidadãos capazes de compreender o que estão fiscalizando.
Porque uma sociedade que não entende suas instituições entrega a elas um poder que deveria permanecer sob vigilância.
A HORA DA LIMPEZA
Talvez não estejamos vendo o fim das instituições.
Talvez estejamos vendo suas rachaduras.
E talvez isso seja assustador.
Mas também pode ser uma oportunidade.
A oportunidade de parar de pintar a parede.
E finalmente descobrir o que existe por baixo.
Porque a pergunta mais importante talvez não seja:
“Quem está certo?”
Mas:
“Que sistema continuaria funcionando se todos nós estivéssemos errados?”
Talvez seja essa a verdadeira depuração.
E talvez a hora de começar seja agora.
Paulo Laurentino é Artista Plástico e Publicitário
- Publicidade -
juranda e jackson vania
Menina de Luxo
- Publicidade -
abaixo do destaque
jujava
- Publicidade -
A Barateira

Compartilhe

Popular

Veja também
Relacionados

Tangará – Mulher fica em estado grave após acidente no Jardim Shangri-lá

Uma mulher ficou gravemente ferida após um acidente envolvendo...

PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL E O ALUNO COM TEA: ACOLHER, ORGANIZAR E MEDIAR

RESUMO Este artigo reflete sobre as práticas pedagógicas na Educação...
Feito com muito 💜 por go7.com.br