A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre, na manhã desta quarta-feira (16), três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra integrantes de um grupo investigado por extorsão digital. As ordens são cumpridas em Tangará da Serra, Barra do Bugres e Cáceres (253 km, 177 km e 220 km de Cuiabá respectivamente). A ação faz parte da Operação Arcanum, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que também cumpre um mandado de busca e apreensão em Santa Catarina.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam uma plataforma de relacionamento voltada a casais liberais para encontrar possíveis vítimas. Depois de estabelecer contato, os criminosos passavam a exigir dinheiro sob ameaça de divulgar conteúdos íntimos.
As investigações apontam que o grupo agia de forma recorrente e teria feito vítimas em diferentes estados. Os suspeitos são investigados pelos crimes de extorsão, associação criminosa e divulgação ou transmissão de cena de nudez ou conteúdo íntimo sem consentimento.
Somadas, as penas máximas previstas para esses crimes podem chegar a 18 anos de prisão, sem considerar eventuais outros delitos que possam ser identificados durante o avanço das apurações.
INVESTIGAÇÕES
As apurações começaram após vítimas procurarem a Polícia Civil do Distrito Federal e relatarem que estavam sendo ameaçadas por pessoas que diziam ter posse de imagens e outros conteúdos íntimos.
De acordo com os relatos, os criminosos exigiam pagamentos para não encaminhar o material a familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas às vítimas.
Durante o trabalho investigativo, policiais analisaram informações digitais e movimentações financeiras e identificaram indícios de ligação entre os envolvidos. Os elementos reunidos apontaram para uma atuação coordenada e estruturada, com repetição do mesmo tipo de abordagem.
Com o avanço das diligências, os investigadores localizaram outras possíveis vítimas, inclusive fora do Distrito Federal. Os relatos apresentavam um padrão semelhante: ameaça de exposição de conteúdo íntimo acompanhada da exigência de dinheiro.
A investigação também identificou o uso de contas bancárias digitais e intermediários financeiros para movimentar os valores obtidos por meio das extorsões. A estratégia, segundo a polícia, teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro e a identificação dos envolvidos na movimentação dos recursos.
Os investigadores ainda encontraram indícios de que a prática criminosa permanecia ativa, o que levou à adoção das medidas judiciais para interromper a atuação do grupo e evitar novas vítimas.
Durante as buscas, os policiais procuram apreender celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, além de documentos e materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos crimes. O conteúdo recolhido será submetido à análise técnica.
NOME DA OPERAÇÃO
O nome Arcanum faz referência à ideia de algo oculto ou secreto. A denominação está relacionada à forma como os investigados exploravam o receio das vítimas de terem a intimidade exposta para pressioná-las ao pagamento de dinheiro.
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