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Compreensão do Autismo no contexto educacional: das primeiras descrições aos critérios atuais do DSM-5

RESUMO

O presente artigo tem como finalidade analisar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) a partir das recentes mudanças nos critérios diagnósticos e dos avanços investigativos que têm contribuído para a ampliação da compreensão acerca do transtorno. Descrito há mais de sete décadas com base em alterações no desenvolvimento infantil, com ênfase no desenvolvimento social, o autismo teve seus primeiros critérios diagnósticos sistematizados na década de 1980, nos manuais de classificação. Desde então, tais critérios vêm sendo aprimorados e complementados com base em evidências científicas, culminando nos parâmetros estabelecidos pelo atual Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Palavras-chave: Autismo. Transtorno do Espectro Autista. Diagnóstico. DSM-5. Desenvolvimento Infantil.

INTRODUÇÃO

As características do autismo podem se apresentar desde formas leves e quase imperceptíveis para aqueles que não conhecem a síndrome, até quadros graves, acompanhados por dificuldades significativas. Desse modo, o autismo passa a ser compreendido atualmente a partir de um espectro: o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

  1. O TEA NOS MANUAIS DE CLASSIFICAÇÃO

Nos manuais de classificação, o autismo foi primeiramente descrito com o nome de Transtorno Autista pela comunidade médica no final da década de 1980. Anteriormente era compreendido sob uma perspectiva psicodinâmica como uma forma de psicose que se manifestava na infância.

Ao longo do tempo, a categoria do Transtorno Autista sofreu progressivas ampliações nos manuais diagnósticos, acompanhando os avanços científicos. Outro ponto importante diz respeito ao início dos sintomas, que anteriormente circunscrevia seu aparecimento até os três anos de idade. Atualmente, estes devem estar presentes durante o período da infância, podendo se manifestar somente quando as demandas sociais excederem os limites das capacidades da criança, fato comum no início da escolarização de alunos com o que antes era chamado de Transtorno de Asperger, hoje incluído no TEA (APA, 2014).

  1. CARACTERÍSTICAS DO TEA

De acordo com o DSM-5, as características principais são divididas em dois grandes grupos:

1) Déficits persistentes na comunicação e interação social: dificuldade na reciprocidade socioemocional; dificuldade nos comportamentos comunicativos não verbais (contato visual, gestos); dificuldade em desenvolver e manter relacionamentos.

2) Padrões restritos e repetitivos de comportamento: movimentos repetitivos e ecolalia; insistência em rotinas e resistência a mudanças; interesses fixos e intensos; hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais.

  1. EPIDEMIOLOGIA

A prevalência global aumentou significativamente. Segundo o CDC (2025), passou de 1 em 150 (2000) para 1 em 36 (2020), chegando a 1 em 31 (3,22%) em 2025. A OMS estima 1% da população mundial. No Brasil, o Censo 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas com TEA (1,2%), com maior prevalência em meninos (1,5%) e pico de 3,8% entre meninos de 5 a 9 anos.

  1. ETIOLOGIA

A etiologia é multifatorial, com cerca de 80% de herdabilidade. Não há causa única e não há relação com vacinas. Resulta da interação entre mais de 100 genes de risco e fatores ambientais no período gestacional, como idade parental avançada e prematuridade.

  1. PROGNÓSTICO

O TEA é uma condição permanente, sem cura. O prognóstico depende do diagnóstico precoce (antes dos 3 anos), do nível de suporte necessário (1, 2 ou 3) e do acesso a intervenções baseadas em evidências.

  1. INTERVENÇÕES NO TEA

Com maior evidência: ABA (padrão-ouro), Modelo Denver (ESDM), TEACCH e PECS/Comunicação Alternativa. Suporte terapêutico: Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional. Na escola: PEI (Plano Educacional Individualizado), previsto na Lei 12.764/2012, mediação especializada e adaptações curriculares. Medicação trata apenas comorbidades, não o TEA em si.

  1. DESAFIOS FUTUROS

Diagnóstico tardio e falta de equipes no SUS; 2. Inclusão escolar efetiva com PEI; 3. Atenção à vida adulta e mercado de trabalho; 4. Combate à desinformação; 5. Efetivação da Lei Berenice Piana e da Lei Romeo Mion (13.977/2020).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O futuro do cuidado em TEA depende menos da descoberta de novas técnicas e mais da garantia de que as intervenções já comprovadas cheguem a quem precisa, na escola comum, de forma equitativa e humanizada.


¹ Professora da Educação Básica, habilitada em Pedagogia pela UFMT (NEAD), pós-graduada em Gestão Escolar pelo Instituto Prominas e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pelo Centro Universitário Faveni – UNIFAVENI. E-mail: angelaoliveira2016@hotmail.com.


 

REFERÊNCIAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

IBGE. Censo Demográfico 2022: Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Rio de Janeiro, 2024.

BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

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