A carne bovina produzida em Mato Grosso ampliou sua presença no mercado internacional no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, a proteína mato-grossense chegou a 88 países e proporcionou receita de US$ 2,4 bilhões aos frigoríficos do Estado.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram atendidos 77 países e o faturamento somou US$ 1,47 bilhão, a receita aumentou aproximadamente 63,3%. Em apenas um ano, outros 11 mercados passaram a integrar a relação de destinos da carne estadual.
O avanço não ocorreu apenas pela quantidade comercializada. O preço médio também aumentou. A tonelada exportada saiu de aproximadamente US$ 5,1 mil, no primeiro semestre de 2025, para US$ 6,1 mil neste ano, valorização próxima de 19,6%.
Os números reforçam o peso do mercado externo para a pecuária de Mato Grosso e mostram uma expansão dos destinos em um momento no qual a diversificação comercial ganha importância para reduzir a dependência dos principais compradores.
A China permanece, com larga vantagem, como o maior mercado para a produção mato-grossense. Nos primeiros seis meses do ano, o país asiático adquiriu 282,4 mil toneladas de carne bovina produzida no Estado.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 41 mil toneladas, enquanto o Chile apareceu em terceiro, com 31 mil toneladas.
Entre os dez principais compradores estão ainda Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos.
A lista evidencia uma distribuição geográfica que alcança Ásia, América do Norte, América do Sul, Europa, Oriente Médio e África.
Mercados menores ampliam alcance
Além dos grandes compradores, a indústria frigorífica estadual conseguiu colocar a produção em mercados com volumes menores, mas que contribuem para ampliar a carteira de clientes.
A carne de Mato Grosso chegou, por exemplo, a Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia.
A passagem de 77 para 88 destinos em um ano representa crescimento de 14,3% no número de mercados atendidos.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, essa diversificação é estratégica para toda a cadeia.
“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense. Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas”, afirma.
Segundo Andrade, a pulverização dos destinos proporciona maior previsibilidade tanto para a indústria frigorífica quanto para os pecuaristas.
Além de diminuir a dependência de compradores específicos, a abertura de mercados pode permitir o acesso a nichos que pagam mais por determinadas características e padrões de qualidade da carne.
China ainda concentra vendas
A diversificação, entretanto, ocorre paralelamente à forte presença chinesa nas exportações estaduais.
Somente a China adquiriu 282,4 mil toneladas no semestre. O volume é quase sete vezes o destinado aos Estados Unidos, segundo maior comprador, e mais de nove vezes o embarcado para o Chile.
Essa diferença mostra que a ampliação do número de países atendidos reduz riscos e cria alternativas comerciais, mas ainda não elimina a importância da demanda chinesa para a cadeia bovina estadual.
Por isso, o crescimento das vendas para outros destinos, especialmente Estados Unidos, países do Oriente Médio e mercados europeus, pode ganhar peso na estratégia comercial dos frigoríficos.
A distribuição internacional da carne também expõe um desafio logístico. Embora Mato Grosso lidere a produção nacional de bovinos, está distante do litoral e depende de longos corredores rodoviários e ferroviários para levar a proteína aos terminais de exportação.
No primeiro semestre, Paranaguá (PR) e Santos (SP) foram os principais portos utilizados para o escoamento da carne bovina produzida no Estado.
Ainda assim, o avanço de 11 mercados em apenas um ano, combinado ao aumento de quase 20% no preço médio da tonelada, ajudou a elevar em mais de US$ 900 milhões a receita obtida pelos frigoríficos mato-grossenses com o comércio internacional.
O resultado coloca a diversificação dos compradores como uma das ferramentas para sustentar as exportações da pecuária estadual diante das oscilações de demanda e preços nos grandes mercados mundiais.








