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CachacistaMT conhece história e produtos especiais da Pitú em visita cultural em Pernambuco

Nelson Alves esteve no Centro de Visitação da marca, em Vitória de Santo Antão, acompanhado por visitantes de Mato Grosso e Portugal; viagem teve sequência no Alambique Sanhaçu, em Chã Grande

O jornalista, historiador e CachacistaMT Nelson Alves viveu uma experiência de conhecimento, cultura e valorização da cachaça brasileira durante visita ao Centro de Visitação da Pitú, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco.

Nelson esteve acompanhado por Francisco Ferreira, de Carlinda, Mato Grosso, e pelo casal  Flávio e Edilene Alves, residente em Portugal. O encontro proporcionou ao grupo uma imersão na história de uma das marcas mais tradicionais do setor de bebidas do país, permitindo conhecer curiosidades, produtos, embalagens históricas e parte da trajetória de crescimento da empresa.

A programação ocorreu exclusivamente no Centro de Visitação. A Pitú não oferece acesso público à fábrica ou às áreas de produção. A história da empresa e as informações sobre seu processo produtivo foram apresentadas por meio de vídeo institucional, acervo, imagens, garrafas e produtos especiais.

A visita foi conduzida pelo colaborador João Vitor, que explicou detalhes sobre o surgimento, a evolução e a presença da marca nos mercados nacional e internacional. Segundo Nelson Alves, o guia demonstrou conhecimento, cordialidade e profissionalismo durante todo o atendimento. “Vitor conduziu a visita com muita competência, clareza e atenção. Sua forma de apresentar a história, as curiosidades e os produtos tornou a experiência ainda mais agradável e enriquecedora”, destacou o CachacistaMT.

Primeira garrafa e produtos especiais

Entre os itens que mais chamaram a atenção estava a primeira garrafa envasada pela Pitú, preservada como marco do início da trajetória da empresa. O exemplar ajuda a mostrar as transformações pelas quais passaram os rótulos, formatos e apresentações comerciais da bebida ao longo das décadas.

O grupo também conheceu embalagens destinadas à exportação, desenvolvidas de acordo com características e exigências dos mercados internacionais.

Outro destaque foi um exemplar de bebida com zero álcool direcionado ao público alemão, além de uma edição especial e restrita à diretoria da empresa, que não é comercializada ao público. As peças revelam a diversidade de projetos, embalagens e produtos criados durante a história da Pitú.

Durante o encontro, os participantes ainda degustaram a Pitú Vitoriosa, servida em dose, e apreciaram uma caipirinha preparada por João Vitor. A bebida extra premium (05 anos) foi lançada em comemoração aos 75 anos da empresa, é envelhecida em barris de carvalho francês e apresenta notas associadas a especiarias, coco queimado, baunilha, caramelo e amêndoas.

Para Nelson, a presença de visitantes de Mato Grosso e de Portugal ampliou o significado cultural do momento. “A cachaça aproxima pessoas e carrega parte importante da história, da economia e da identidade brasileira. Compartilhar essa experiência com pessoas de diferentes lugares tornou a visita ainda mais especial”, afirmou.

Kit de caipirinha marca recepção

Ao final da programação, Nelson Alves recebeu da gerência da Pitú um kit para o preparo de caipirinha. O presente foi recebido como uma demonstração de hospitalidade, atenção e reconhecimento ao trabalho de valorização da cachaça brasileira.

“Agradeço à direção, à gerência e aos colaboradores da Pitú pela recepção. O kit será guardado como lembrança do aprendizado, dos bons momentos e do carinho com que fomos recebidos”, declarou.

Para o CachacistaMT, o atendimento oferecido por João Vitor também merece reconhecimento especial, por representar a empresa com conhecimento, dedicação e entusiasmo. “Colaboradores bem preparados fortalecem a imagem da empresa. João Vitor demonstrou profundo conhecimento e muita atenção, fazendo com que todos se sentissem acolhidos durante a visita”, acrescentou Nelson.

História iniciada em Vitória de Santo Antão

A história da Pitú começou em 1938, quando Joel Cândido Carneiro e Severino Ferrer de Moraes se uniram em Vitória de Santo Antão para atuar na fabricação de vinagre e outras bebidas, além do engarrafamento de aguardente de cana fornecida por engenhos da região.

Posteriormente, a empresa adquiriu o Engenho Arandú do Coito, que passou a ser chamado de Engenho Pitú, iniciando a produção da própria aguardente. Com a importação de equipamentos e a industrialização do engarrafamento, surgiu a Indústria de Aguardente Pitú.

O nome faz referência tanto ao engenho quanto ao pitú, camarão de água doce comum na região. O crustáceo estampado no rótulo atravessou gerações e tornou-se um dos símbolos mais conhecidos do mercado brasileiro de bebidas.

Entre as décadas de 1950 e 1970, a produção cresceu e a marca ampliou sua presença em bares e estabelecimentos comerciais do país. Foi nesse período que o artista plástico Henrique da Holanda criou um dos primeiros rótulos da bebida.

Com o crescimento das atividades, a Pitú adquiriu novos equipamentos e inaugurou suas instalações às margens da BR-232, em Vitória de Santo Antão. Atualmente, a Engarrafamento Pitú possui um parque fabril com aproximadamente 18,5 mil metros quadrados de área construída, destinado à produção, ao engarrafamento e ao armazenamento de seus produtos.

Produção em grande escala

A estrutura industrial da empresa reúne equipamentos tecnológicos voltados ao processamento, ao engarrafamento, ao armazenamento e à distribuição das bebidas.

Embora os visitantes não tenham tido acesso às instalações industriais, o vídeo institucional e as informações apresentadas no Centro de Visitação permitiram conhecer aspectos gerais do processo produtivo e da evolução tecnológica da empresa.

A Pitú fabrica milhões de litros de bebidas e mantém um portfólio diversificado, formado pela tradicional cachaça branca, versões envelhecidas, produtos saborizados, bebidas prontas e outras marcas desenvolvidas ao longo de sua trajetória.

Entre os principais produtos estão a Pitú Branquinha, Pitú Gold, Vitoriosa, Pitú Limão, Pitú Mel e Limão, Pitú Caju, Pitú Banana, batidinhas de coco, morango e maracujá, além de versões ICE e Remix.

A Pitú Gold é envelhecida em barris de carvalho americano, adquirindo coloração dourada, sabor frutado e características mais marcantes. Já a Vitoriosa ocupa a categoria extra premium e foi desenvolvida para celebrar a trajetória da empresa.

Outro momento importante da história da marca foi o lançamento da aguardente em embalagem metálica. A tradicional latinha de Pitú tornou-se uma inovação no setor e ganhou grande popularidade em festas, bares e eventos.

Exportações começaram pela Alemanha

A expansão internacional da Pitú começou pela Alemanha, país que funcionou como porta de entrada para a divulgação da cachaça em outros mercados europeus.

A relação com o mercado alemão foi percebida pelo grupo durante a apresentação das garrafas destinadas à exportação e do exemplar sem álcool produzido para aquele público.

Com o passar dos anos, a Pitú consolidou sua presença internacional e passou a se apresentar como a marca de cachaça brasileira mais exportada. A empresa também informa que ocupa a segunda posição entre as cachaças mais consumidas no Brasil e a liderança de consumo no Nordeste.

No mercado externo, destacam-se as versões Pitú Silver e Pitú Gold. A Silver possui perfil mais leve e versátil, podendo ser consumida pura ou utilizada em drinques e coquetéis. A Gold, envelhecida, apresenta notas de madeira e especiarias e atende consumidores que buscam uma bebida mais complexa.

A presença internacional da marca ajuda a divulgar não apenas um produto, mas também a história da cachaça e da cultura brasileira. A caipirinha, preparada tradicionalmente com cachaça, limão, açúcar e gelo, tornou-se uma importante vitrine da bebida em outros países.

Reconhecimento internacional

A qualidade dos produtos da Pitú também tem sido reconhecida em competições internacionais.

No New York International Spirits Competition, realizado nos Estados Unidos, a Vitoriosa conquistou medalha de ouro, com 95 pontos. A Pitú Gold recebeu medalha de prata, com 93 pontos, enquanto a Pitú Silver foi premiada com medalha de bronze, alcançando 90 pontos.

A competição reuniu mais de 1,4 mil marcas de 39 países, distribuídas em diferentes categorias de destilados.

A marca também recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial o reconhecimento de Marca de Alto Renome, condição que amplia sua proteção para diferentes ramos de atividade e demonstra a força alcançada pelo nome Pitú no mercado brasileiro.

Cultura, economia e identidade brasileira

Segundo Nelson Alves, conhecer a trajetória de empresas tradicionais ajuda a valorizar a cachaça como patrimônio cultural, histórico e econômico do país.

“A cachaça é uma bebida genuinamente brasileira, que gera empregos, renda, desenvolvimento e oportunidades. Sua história precisa ser divulgada com conhecimento, responsabilidade e respeito”, ressaltou.

Para o CachacistaMT, a visita demonstrou como a memória de uma empresa pode ser preservada e compartilhada com o público por meio de seus produtos, embalagens, vídeos e registros históricos.

A passagem pelo Centro de Visitação da Pitú terminou com fotografias, agradecimentos e novas histórias. Para Nelson Alves, Francisco Ferreira, Flávio e Edilene, o encontro representou mais do que conhecer uma marca: foi uma oportunidade de compreender como tradição, inovação, produção e identidade ajudam a fortalecer a cultura da cachaça brasileira.

Viagem segue pelo Alambique Sanhaçu, em Chã Grande

A viagem pelo universo da cachaça pernambucana teve continuidade no Alambique Sanhaçu, em Chã Grande, na serra de Pernambuco, a cerca de 15 quilômetros de Gravatá.

Na propriedade da família Barreto Silva, Nelson Alves e seus acompanhantes conheceram uma produção familiar de alambique, marcada pela rastreabilidade, pelo cuidado com a terra e pelo uso de fontes renováveis de energia. Todas as etapas são acompanhadas dentro da própria propriedade, desde o cultivo da cana até a finalização das bebidas.

Durante a visita, o grupo degustou excelentes doses do portfólio da marca, entre elas as cachaças Sanhaçu Origem, Freijó, Bálsamo, 3 Madeiras e Cinco Almas, observando as diferenças de aromas, sabores, coloração e personalidade proporcionadas pelas madeiras e pelo tempo de armazenamento.

Deve se destacar, que da produção da Sanhaçu, a Soleira foi eleita a melhor cachaça do Brasil no IV Ranking da Cúpula da Cachaça, em 2024, ficando também em primeiro lugar na categoria premium e extra premium. A bebida recebeu ainda medalha de ouro no SIP Awards, nos Estados Unidos. Já a Sanhaçu 3 Madeiras conquistou medalha de ouro no Critics Challenge International Wine & Spirits, em 2025.

Para Nelson Alves, a visita à Sanhaçu complementou a passagem por Pernambuco ao revelar outra dimensão da produção de cachaça: familiar, rural, sustentável e diretamente ligada ao campo.

“A Sanhaçu representa a força da cachaça de alambique pernambucana, unindo tradição, cuidado com a natureza, identidade e bebidas de excelente qualidade”, destacou o CachacistaMT.

A passagem por Vitória de Santo Antão e Chã Grande proporcionou ao grupo duas experiências diferentes e complementares: a história de uma grande marca com presença nacional e internacional e o trabalho de uma produção familiar de alambique, conduzida com respeito à terra, às pessoas e ao tempo.

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