Mato Grosso entra no período proibitivo de uso do fogo em uma posição preocupante: o estado terminou o mês de junho na liderança nacional em número de focos de calor. Foram 1.292 registros ao longo dos 30 dias do mês, o equivalente a uma média de 43 focos por dia ou quase dois focos de calor por hora (1,8 foco por hora), segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O volume coloca Mato Grosso com cerca de 200 focos de calor a mais que o segundo estado do ranking, Tocantins. Na sequência aparece o estado da Bahia, completando a lista dos três estados com maior número de registros no país durante o mês de junho.
Os municípios mato-grossenses com maior concentração de focos de calor foram Marcelândia, Paranatinga, Tangará da Serra, Porto dos Gaúchos e Nova Maringá, evidenciando que o problema está distribuído em diferentes regiões do Estado.
Entre os biomas, a Amazônia foi a mais afetada, concentrando 832 focos de calor. Em seguida aparecem o Cerrado e o Pantanal, reforçando que os três principais biomas presentes em Mato Grosso já sofrem os impactos do período de estiagem antes mesmo do auge da temporada de incêndios.
Os números acumulados ao longo de 2026 também mantêm Mato Grosso na liderança nacional. Entre janeiro e junho, o Estado registrou 2.998 focos de calor, o maior total entre todas as unidades da federação, o que aumenta o alerta das autoridades para os próximos meses, tradicionalmente marcados pelo tempo seco, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar.

???? Focos de calor por estado (01/01 a 30/06/2026)
Diante desse cenário, começa nesta quarta-feira (1º) o período proibitivo do uso do fogo em Mato Grosso. A medida foi estabelecida por decreto do governo do estado, que declarou situação de emergência ambiental em razão do elevado risco de incêndios florestais.
Conforme o decreto, a proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal segue até 30 de novembro. A restrição considera a previsão de estiagem prolongada, temperaturas elevadas, ondas de calor, baixa umidade do ar e ventos intensos, condições que favorecem a propagação rápida das chamas.
O decreto prevê que o período de restrição poderá ser prorrogado ou antecipado caso haja mudanças nas condições climáticas ao longo do ano.
A norma também estabelece que a proibição não se aplica às queimas excepcionais realizadas ou supervisionadas por órgãos públicos responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios florestais.
Para reforçar o enfrentamento às queimadas ilegais, o Governo do Estado instituiu ainda a Sala de Situação Central (SSC), que atuará durante toda a temporada de incêndios. Coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar, a estrutura terá a missão de integrar as ações de monitoramento, deliberação técnica, otimização de recursos e resposta rápida aos focos de incêndio, reunindo diferentes órgãos estaduais e demais níveis de governo.



