Em uma iniciativa voltada para a transformação social e a estruturação do orçamento familiar, o Auditório Municipal Professora Sandra Rodrigues Santos Souza foi palco, na noite da última quinta-feira (21), da palestra do Programa “Finanças na Mochila”. O evento, realizado a partir das 19h00, é fruto de uma parceria estratégica entre o Sicredi e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), com o objetivo de levar conceitos fundamentais de educação financeira para pais, responsáveis e educadores da rede pública de ensino.
O encontro reuniu a comunidade escolar da Escola Estadual João Monteiro Sobrinho, em uma mobilização liderada pelo diretor da instituição, professor Laurentino Fernandes Vieira, que destacou a importância de trazer os familiares para o ambiente de debate e valorizou o empenho dos presentes, mesmo após a jornada diária de trabalho. O evento foi conduzido pelo gerente da agência local do Sicredi em Nova Olímpia, Uelligton Júlio da Silva.
A abertura do evento evidenciou o compromisso mútuo entre a gestão escolar e a instituição cooperativa em promover a cidadania financeira. Ao recepcionar o público, o diretor Laurentino Fernandes Vieira expressou a relevância de momentos formativos dessa natureza para a realidade local, afirmando que já não é muito fácil trazer os pais na escola e que, diante do cansaço do dia a dia, a vontade do corpo é de se agasalhar em casa, mas que a presença de todos precisava ser muito agradecida. O diretor elogiou a postura do palestrante e seu entusiasmo, definindo a atitude como algo bonito de se ver, especialmente para quem atua no magistério. Em seguida, o palestrante Uelligton Júlio da Silva iniciou os trabalhos reforçando que a educação financeira se constrói de forma participativa, compartilhando experiências práticas e alertando sobre as armadilhas de consumo que afetam o cotidiano das famílias, pontuando que o encontro servia para um aprendizado mútuo, uma vez que cada pessoa carrega uma história particular sobre ciladas comerciais.
Ao abordar a gestão das finanças domésticas, o gerente Sicredi utilizou dinâmicas e exemplos práticos para ilustrar que a estabilidade financeira não está atrelada estritamente ao nível de renda, mas sim ao comportamento de gastos. Para exemplificar, comparou a situação hipotética de um profissional com rendimentos de R$ 10.000,00 que gasta R$ 12.000,00, terminando o mês no vermelho, com a de um profissional que recebe R$ 2.000,00, gasta R$ 1.500,00 e consegue poupar R$ 500,00. O palestrante explicou que o fator determinante não é o quanto se ganha, mas sim o quanto e como se gasta, reforçando que a renda não define necessariamente a saúde financeira, mas sim as ações diárias de cada indivíduo.
Entre as principais recomendações compartilhadas para evitar o superendividamento e as armadilhas financeiras, destacou-se o combate ao impulso e a valorização da pechincha, sugerindo estratégias como adiar a compra deixando o produto no carrinho virtual ou negociando diretamente com os vendedores para avaliar se o item constitui uma necessidade real ou um desejo momentâneo. Houve também um forte alerta contra as facilidades de crédito de alto custo para negativados e o acúmulo de pequenas parcelas no cartão de crédito, que dão uma falsa sensação de gratuidade, mas geram uma fatura expressiva ao final do mês. A constituição de uma reserva financeira foi apontada como um passo técnico essencial, recomendando-se que as famílias guardem o equivalente a, no mínimo, seis vezes o valor de seus gastos mensais para garantir sustentabilidade diante de imprevistos como desemprego ou problemas de saúde. Complementarmente, incentivou-se o aproveitamento de habilidades pessoais para a geração de renda extra e a adoção de um planejamento de longo prazo para o futuro dos filhos, como poupança e previdência privada iniciadas ainda na infância, permitindo o aproveitamento do efeito dos juros compostos.
A consolidação da palestra destacou a atuação da Fundação Sicredi por meio de seus programas estruturantes voltados à infância e à juventude, como o “União Faz a Vida”, as “Cooperativas Escolares” e o próprio “Finanças na Mochila”. Segundo as informações apresentadas, cada R$ 1,00 investido nesses programas sociais gera um impacto financeiro calculado em R$ 4,07 para a comunidade beneficiada.
Em Nova Olímpia, sete escolas públicas contam com o apoio dessas iniciativas. O gerente enfatizou que o programa “Finanças na Mochila”, em seu primeiro ano de execução nacional, já alcançou 164 municípios, capacitando 3.431 professores e impactando diretamente 61.859 estudantes. O objetivo final defendido pela instituição é a inclusão formal da disciplina de educação financeira nas matrizes curriculares escolares.
Ao final do encontro, a comunidade foi convidada a realizar um exercício de autorreflexão utilizando a metáfora do “Barco da Vida Financeira”, instigando cada participante a assumir o papel de capitão de sua própria trajetória e a adotar um planejamento financeiro transparente e compartilhado com todos os membros do núcleo familiar. “Cada pessoa é o ‘capitão de seu barco’ e com as ferramentas certas fornecidas por programas como o Finanças na Mochila, é possível navegar com segurança rumo à prosperidade familiar”, finalizou.
O IMPACTO DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO NA COMUNIDADE
Outro ponto da palestra foi a apresentação de dados macroeconômicos que demonstram o impacto das cooperativas de crédito no desenvolvimento dos municípios brasileiros. Com base em uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2024, a pedido da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), o palestrante demonstrou que as cidades que contam com a presença de instituições financeiras cooperativas apresentam indicadores econômicos superiores à média nacional. Os dados detalhados durante o evento apontam que a atuação do cooperativismo gera um incremento de 10% no PIB por habitante e uma elevação de 15,1% na criação de vagas de empregos formais. No âmbito comercial e trabalhista, o impacto reflete em um aumento de 23,5% na massa salarial, que corresponde à soma dos salários da localidade, e de 15,6% no número de estabelecimentos comerciais ativos.
Além dos dados gerais do setor, foram expostos os números específicos do desempenho do Sicredi em 2024, quando a instituição financeira cooperativa registrou um Benefício Econômico Total de R$ 25,5 bilhões em economia gerada para os seus associados em todo o país. Isso representa uma economia média estimada em R$ 2.931,17 por associado. Essa redução de custos é decorrente de três fatores principais apresentados no balanço, começando pelo retorno em economia de crédito, que gerou R$ 19,1 bilhões poupados pelos associados devido à prática de taxas de juros mais baixas que a média de mercado em produtos e serviços. O segundo fator foi o retorno por economia de depósitos, totalizando R$ 3,2 bilhões em maior rentabilidade nas aplicações financeiras dos cooperados, seguido pelo retorno em benefícios de crédito, que também somou R$ 3,2 bilhões distribuídos em juros ao capital, resultados de Sobras e investimentos em projetos sociais nas comunidades.





