O preço da cesta básica voltou a subir em Mato Grosso e atingiu um novo recorde na segunda semana de maio. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), o custo médio chegou a R$ 896,80, pressionado principalmente pela alta da batata, que continua liderando as maiores variações entre os produtos pesquisados.
Conforme os dados divulgados pela entidade, o valor atual da cesta está 6,39% acima do registrado no mesmo período de 2025, quando o custo médio era de R$ 842,92.
As condições climáticas e o prolongamento do período de colheita têm sido apontados como os principais fatores para a elevação dos preços. O presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, explicou que alimentos mais sensíveis à sazonalidade seguem pressionando o orçamento das famílias cuiabanas.
“A continuidade da alta da cesta básica, que cada vez mais se aproxima dos R$ 900, reflete a persistência de pressões inflacionárias concentradas, principalmente, em alimentos sensíveis às condições climáticas”, afirmou.
A batata apresentou a maior alta entre os itens da cesta básica, com aumento semanal de 18,79%. O produto passou a custar, em média, R$ 8,34 o quilo. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a elevação acumulada chega a 38,92%.
Segundo análise do IPF-MT, o avanço dos preços está relacionado à reta final da colheita e ao excesso de chuvas nas regiões produtoras, cenário que reduz a oferta do produto no mercado.
Outro item que também contribuiu para o aumento da cesta foi o arroz. O produto registrou alta de 3,25% e alcançou média de R$ 5,12 por quilo. A Fecomércio aponta que o reajuste pode estar ligado à recuperação do mercado após períodos de desvalorização, além da expectativa de redução da safra, o que aumenta a pressão sobre os preços.
Mesmo com alguns produtos apresentando estabilidade ou redução, o comportamento concentrado das altas em itens considerados essenciais segue puxando o custo médio da cesta para cima.
“Mesmo com a estabilidade ou redução de preços em parte dos itens da cesta, as altas concentradas em produtos estratégicos continuam sustentando o avanço do preço médio”, observou Wenceslau Júnior.
Entre os produtos que registraram queda, a banana apresentou recuo de 3,38%, com preço médio semanal de R$ 8,16 o quilo. De acordo com o levantamento, o clima mais estável, com temperaturas elevadas e menor volume de chuvas nas áreas produtoras, favoreceu a oferta da fruta, especialmente da variedade nanica.
Apesar de algumas reduções pontuais, a avaliação da Fecomércio é de que o consumidor continua enfrentando forte pressão no orçamento doméstico.
“Ainda que parte dos itens tenha apresentado estabilidade ou redução, o comportamento heterogêneo dos produtos não é suficiente para conter o avanço dos preços, intensificando a pressão sobre o poder de compra das famílias”, destacou o presidente da entidade.


