segunda-feira, 18 maio 2026
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Mato Grosso deve ampliar confinamento de gado em mais de 55% em 2026, aponta Imea

Estado pode atingir 1,44 milhão de cabeças confinadas, impulsionado por grandes produtores e melhora na relação de troca com o milho

Mato Grosso deve registrar forte crescimento na engorda de gado em confinamento ao longo de 2026. Segundo o primeiro levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a expectativa é que o estado alcance 1,44 milhão de cabeças confinadas no próximo ano, volume 55,39% superior ao registrado em 2025.

O estudo, realizado durante o mês de abril, aponta que o avanço da atividade será sustentado principalmente pelos confinamentos de grande porte. De acordo com o Imea, propriedades com capacidade acima de 5.001 cabeças devem responder por cerca de 80,92% de toda a expectativa de confinamento em Mato Grosso, o equivalente a aproximadamente 1,17 milhão de bovinos.

A região oeste lidera a intenção de confinamento no estado, com projeção de 407.912 cabeças, crescimento de 50% em relação ao ano anterior. Em seguida aparecem as regiões norte, com 333.487 animais, sudeste (192.500), nordeste (153.414), centro-sul (143.573), médio-norte (134.573) e noroeste (78.154).

Além da expansão projetada, o levantamento mostra que os confinadores vêm adotando postura mais cautelosa diante do cenário econômico e geopolítico internacional. Mesmo com a valorização do boi gordo, produtores ampliaram o uso de mecanismos de proteção de preços e acordos antecipados para reduzir riscos da atividade.

Outro fator que contribui para o avanço do confinamento em Mato Grosso é a melhora na relação de troca entre boi gordo e milho. Segundo o Imea, o custo médio da diária confinada apresentou leve redução, passando de R$ 13,15 para R$ 13,05 por cabeça ao dia.

A queda foi influenciada principalmente pela desvalorização do milho no mercado estadual, reduzindo parte dos custos da alimentação animal, considerada um dos principais componentes da atividade de confinamento.

Apesar disso, o instituto alerta que alguns custos continuam pressionando os produtores. Entre eles estão o aumento do frete e os reajustes no preço do diesel, fatores que impactam diretamente a logística e a operação dos confinamentos.

O levantamento também revela diferenças no comportamento entre confinamentos de grande e pequeno porte. Enquanto as grandes estruturas devem crescer 21,83% em relação ao ano passado, os confinamentos menores, especialmente aqueles com capacidade de até mil cabeças, devem registrar retração de 4,58%.

Segundo o Imea, os pequenos produtores enfrentam maior dificuldade para absorver os custos elevados da reposição bovina, cenário que limita a expansão da atividade nesse segmento.

Outro ponto de atenção destacado pelo estudo é a preocupação crescente com a oferta de bezerros no mercado. O elevado abate de fêmeas registrado nos últimos ciclos pecuários reduziu a disponibilidade de animais para reposição, o que mantém os preços elevados e aumenta a pressão sobre os custos da atividade.

Para o coordenador de inteligência de mercado agropecuário do Imea, Rodrigo Silva, o cenário demonstra um setor mais estratégico e atento às oscilações do mercado.

“O primeiro levantamento das intenções de confinamento de 2026 indica um cenário de crescimento da atividade em Mato Grosso, impulsionado pela valorização da arroba e pela melhora na relação de troca. Ao mesmo tempo, o setor mantém uma postura mais estratégica e cautelosa diante dos desafios da reposição, da volatilidade dos preços e das incertezas econômicas e geopolíticas”, afirmou.

O estudo também projeta que o confinamento seguirá desempenhando papel fundamental no abastecimento da indústria frigorífica durante a entressafra pecuária, especialmente no segundo semestre do ano.

Entre julho e dezembro de 2026, aproximadamente 82,6% dos animais confinados deverão ser enviados para abate. O período concentra a maior parte da oferta de gado terminado, justamente quando há redução da capacidade das pastagens e o confinamento se torna peça estratégica para manter o fluxo de produção da cadeia pecuária mato-grossense.

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