Corpo cilíndrico, escamas de cor marrom, com manchas pretas, cabeça triangular, língua preta e fina: é jiboia ou sucuri? Ao se deparar com uma serpente na natureza as emoções surgem a flor da pele e nem sempre o turista ou observador vai se questionar qual a espécie do bicho. Contudo, as duas serpentes possuem semelhanças físicas, mas também suas diferenças.
Em um registro feito pelo fotógrafo e guia de turismo, Ailton Lara, uma jiboia “disfarçada de sucuri” mostra habilidade durante o nado nas águas do Pantanal, demonstrando ser uma “especialista” no ambiente aquático.
Jiboia disfarçada de sucuri chama atenção durante mergulho nas águas do Pantanal. – Vídeo: Reprodução / Instagram @ailton_lara
Ao Primeira Página, o observador da vida selvagem conta o comportamento semelhante a um “disfarce” não ocorreu de forma “consciente” pela serpente, mas identificou a jiboia devido a algumas particularidades. “Mesmo parecidas, cada uma tem seu jeito e aparência bem próprios na natureza”, diz o fotógrafo.
Diferenças físicas
Com a experiência da observação das espécies, Ailton descreve que a jiboia possui o corpo mais fino, com tons mais puxados para o cinza e marrom. A cabeça aparece mais destacada do corpo. Já a sucuri, embora por vezes seja confundida com a jiboia, possui algumas diferenças fáceis de notar.

Semelhanças comportamentais
De acordo com Ailton, o comportamento da jiboia em adentrar a água chamou sua atenção. Normalmente, a jiboia é terrestre e arborícola, ou seja, que sobe em árvores, porém, em algumas situações como no Pantanal, pode ser semiaquática.
“Estava dirigindo pela Transpantaneira quando avistei essa incrível serpente atravessando a estrada. Ao me aproximar, percebi que era uma jiboia, imediatamente comecei a filmar. Durante a estação chuvosa do Pantanal, esses encontros se tornam mais frequentes, já que muitas áreas ficam alagadas e a fauna se movimenta mais intensamente em busca de abrigo, alimento e áreas secas”, explica.
Já a sucuri vive principalmente em rios, corixós e áreas alagadas do Pantanal. Grande parte do tempo permanece submersa ou escondida entre a vegetação aquática, usando a água como proteção e estratégia de caça.
Registro de encontro com uma sucuri-amarela no Pantanal. – Vídeo: Reprodução /Instagram @ailton_lara.
Bote e método de ataque
Para além das semelhanças como habitat de vivência, ambas as cobras são confundidas por outro comportamento: não possuem peçonha e seu método de caça é a constrição. Elas capturam a presa e utilizam a força muscular para interromper a respiração e a circulação, o famoso “abraço da morte”.
A peçonha, que as duas não tem, é uma toxina de origem animal, produzida por uma glândula, capaz de alterar o metabolismo de outro animal quando inoculada através de um espinhos, dentes e outros em contato com a pele.
Contudo, Ailton pontua que, apesar do tamanho impressionante, a sucuri geralmente evita contato com humanos, e a jiboia não representa perigo para humanos quando respeitada.
“Essas serpentes desempenham um papel ecológico fundamental no equilíbrio do ecossistema, controlando populações de roedores, aves e pequenos mamíferos. Observar uma jiboia em vida livre no Pantanal é um privilégio e um lembrete da importância de conservar esse bioma único, onde cada espécie tem sua função na grande engrenagem da natureza”, conclui.
Na dúvida, se é jiboia ou sucuri, o importante é respeitar o animal em seu habitat natural.



