Um peixe pequeno, popular em aquários, mas até então desconhecido pela ciência, foi identificado por pesquisadores nos rios Xingu e Tapajós. A nova espécie do gênero Corydoras chama atenção por um detalhe curioso: uma faixa escura que atravessa os olhos e forma uma espécie de “máscara” no rosto.
A descoberta é resultado de um estudo extenso de cerca de 10 anos que analisou dezenas de exemplares coletados ao longo de anos nas bacias dos rios da Amazônia. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Federal do Pará (UFPA) e publicado na revista científica internacional Neotropical Ichthyology, em 2024.
O novo peixe, batizado de Corydoras caramater, possui um conjunto específico de características. Além do focinho mais alongado, ele apresenta uma combinação única de estruturas ósseas, formato da cabeça e padrão de manchas pelo corpo. As placas laterais têm pequenas manchas escuras irregulares, e a “máscara” nos olhos é uma das marcas mais evidentes.

Os pesquisadores também observaram o comportamento e o habitat da espécie. Ela vive principalmente em igarapés e trechos rasos de rios, com até 30 centímetros de profundidade, correnteza leve e fundo de areia, cascalho e folhas. Em alguns locais, foi encontrada nadando em grupo com outras espécies semelhantes, inclusive algumas que ainda nem foram oficialmente descritas.
Outro ponto curioso é que esse peixe já era conhecido por criadores e entusiastas de aquários, mas apenas como uma espécie “não identificada”. Isso mostra como o conhecimento popular e científico podem caminhar juntos na descoberta de novas espécies.
Apesar de viver em áreas sob pressão ambiental — como regiões afetadas por hidrelétricas e garimpo — a espécie foi classificada como de “baixo risco de extinção”, principalmente por estar distribuída em uma área relativamente ampla, estimada em cerca de 30 mil km².

