quinta-feira, 16 abril 2026
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Estreia de documentário sobre Zico emociona público no Rio; longa conta a trajetória do craque de futebol

Na noite desta terça-feira (14), o cinema se transformou em uma arquibancada para a pré-estreia do documentário Zico: O Samurai de Quintino, que mergulha na história de um dos maiores jogadores de futebol. Nas 12 salas lotadas no complexo do Downtown, na Barra da Tijuca, a sessão de cinema tornou-se uma experiência sensorial que lembrou, em emoção e intensidade, o estádio do Maracanã.

O som das torcidas foi cuidadosamente trabalhado na mixagem do filme. A cada lance e memória revisitada, o público reagia como se estivesse diante de um clássico.

Após seis anos em produção, o documentário dirigido por João Wainer remonta a trajetória de Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Do subúrbio de Quintino às glórias com o Flamengo, passando pela experiência transformadora no Japão, o filme reúne arquivos inéditos, relatos familiares e depoimentos históricos.

Para o diretor, a dimensão do personagem exigia uma abordagem à altura.

“O Zico foi um samurai que encarnou em Quintino”, disse Wainer.

A frase, nascida de uma brincadeira, acabou traduzindo o espírito do filme que conta uma história de disciplina, honra e pertencimento atravessando continentes.

Wainer também destacou a importância da família na narrativa, especialmente da esposa Sandra.

“Ela tem uma importância muito grande na vida do Zico e no filme também. Quando você ouve a Sandra, a Zezé, ou até a Dona Matilde nos arquivos, há um frescor diferente”, afirmou.

A presença feminina é um dos eixos que sustentam o documentário. Ao revisitar álbuns guardados por décadas, a produção constrói um retrato íntimo e afetivo do ídolo para além dos gramados.

Ao comentar a experiência de assistir à própria trajetória na tela, Zico não escondeu o impacto.

“Bateu emoção direto, o tempo todo. Você começa a lembrar de tudo o que aconteceu na sua carreira. Tem lances ali que eu vou ver dez vezes e vou chorar dez vezes”, disse.

A partir da obra, o ex-jogador também refletiu sobre os valores que compõem a sua história, destacando o contraste com o presente.

“A gente vive um momento muito de individualidade, de ‘eu, eu, eu’. E eu sou do ‘nós’. O filme mostra isso: amizade, ajuda, superação.”

Em tom bem-humorado, Zico ainda lembrou sua relação com o Japão, onde atuou como jogador e técnico. “Que o flamenguista não fique chateado, mas o Flamengo foram 20 anos e o Japão foram 22”, brincou, arrancando risos dos presentes.

O documentário também revisita esse período marcante da carreira, quando Zico ajudou a estruturar o futebol japonês. A narrativa percorre esse “segundo tempo” da carreira com a mesma atenção dedicada aos anos de glória no Brasil.

Com imagens raras, registros em Super-8, fitas VHS e objetos históricos, o filme constrói uma linha do tempo que dialoga com diferentes gerações. Participações de nomes como Ronaldo, Júnior e Carlos Alberto Parreira ampliam o olhar sobre o impacto do camisa 10. Mais do que um ídolo, o filme apresenta Zico como símbolo de uma coletividade.

O longa estreia nos cinemas em 30 de abril.

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