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No Estado, 9 mulheres foram vítimas de feminicídio neste ano

Em 2025, 53 mulheres morrem por crimes motivados por ódio, menosprezo, discriminação e outras questões de gênero

Em Mato Grosso, nove mulheres já foram vítimas de feminicídios nste ano, de acordo com acompanhamento do Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado.

Uma delas, a professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, morta em Cuiabá, no dia 16 de fevereiro, tinha medida protetiva em vigor.

Entre as outras cidades onde ocorreram feminicídios, estão Chapada do Guimarães, Nova Maringá, Lucas do Rio Verde e São José do Xingu.

No ano passado, 53 mulheres morrem por crimes motivados pelo ódio, menosprezo, discriminação, entre outras questões relacionadas ao gênero.

Esse número representa um aumento de 13% em relação a 2024, que terminou com o registro de 47 feminicídios.

Essas mortes deixaram órfãos 89 crianças, adolescentes e adultos.

As tentativas de feminicídios também aumentaram no Estado, de 171, em 2024, para 241, em 2025.

Um crescimento de 41%, conforme apontam os dados do Observatório Estadual de Segurança Pública.

Assim como as mortes consumadas e tentadas, os índices de agressões que causam lesões nas vítimas também assustam.

Em 2025, 9.954 mulheres formalizaram queixa por terem sido agredidas fisicamente por seus ex ou atuais maridos, namorados.

Esse número consolida um aumento de 4%, na comparação com o ano anterior, 2024, em que 9.538 sofreram lesões corporais.

Já os crimes de ameaças de morte apontaram uma redução de 5%.

De 19.841 caiu para 18.876, de um ano para o outro.

Por outro lado, as denúncias de calúnia, injúria e difamação cresceram 13%, de pouco mais 11.500 para mais de 13 mil.

Por causa dessa violência sem fim, em 2025, 18 mil mulheres se mantiveram sob medida protetiva judicial de urgência, concedidas judicialmente.

ESTUDO SOBRE FEMINICÍDIOS – De acordo com um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 236 mulheres foram vítimas de feminicídios nos últimos cinco anos, em Mato Grosso.

Os números do período de 2021 a 2025 apontam uma média de 47.2 feminicídios ao ano, o que representa quatro ao mês.

Esses dados, divulgados neste mês, estão disponíveis para conhecimento público no estudo intitulado “Retrato dos Feminicídios no Brasil”.

A divulgação teve como objetivo provocar discussões da violência contra a mulher.

Conforme o fórum, nesses cinco anos, houve um crescimento de 14,5% nos registros de feminicídios no país.

Desde a tipificação da Lei do Feminicídio (14.104), em março de 2015, o Brasil perdeu 13.703 mulheres pela condição de gênero.

“O problema central no país não é mais sobre a criação de novas leis, e sim a capacidade de implementá-las de modo efetivo”, diz o Fórum de Segurança.

“Avaliar a força da política pública hoje implica examinar se os mecanismos previstos têm sido capazes de prevenir a reincidência, reduzir a letalidade e assegurar proteção rápida e qualificada às mulheres em situação de risco”, sugere o grupo do estudo sobre feminicídios.

“Isso significa olhar para o funcionamento concreto da rede no território, para a articulação entre instituições, para o monitoramento das medidas protetivas e para os padrões de descumprimento”, indica.

“É nesse intervalo entre a previsão normativa e a resposta institucional que se definem os limites — e as possibilidades — da proteção estatal”, completa o relatório, na análise da violência letal contra as mulheres.

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