Os pais de um bebê de pouco mais de um mês de vida vão a julgamento sob suspeita de tentar simular uma morte acidental após a criança ser encontrada sem vida dentro de casa, em 2021, em Barra do Bugres (MT). O caso, que lembra o assassinato da menina Isabella Nardoni, que chocou o país em 2008, será julgado pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (24), a partir das 8h30, na comarca do município.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o casal acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante a madrugada ao perceber que o bebê estava sangrando pelo nariz e sem sinais de respiração.
Inicialmente, os pais afirmaram que poderiam ter se deitado sobre a criança enquanto dormiam, causando uma possível asfixia acidental.
No entanto, as investigações começaram a levantar inconsistências. A perícia identificou vestígios de sangue em outro cômodo da residência, o que não condizia com a versão apresentada inicialmente.
Diante disso, os pais mudaram o relato e passaram a dizer que, por estarem embriagados, teriam deixado o bebê cair. A nova versão indicaria, em tese, um caso de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Mas o laudo de necropsia trouxe elementos ainda mais graves. O médico legista apontou a presença de hematomas recentes e antigos no corpo da criança, o que sugere episódios anteriores de agressão.
Além disso, a gravidade das lesões levou à conclusão de que o bebê pode ter sido arremessado contra uma superfície, como parede ou chão, o que reforça a hipótese de violência intencional.
Diante desses indícios, o casal foi pronunciado por homicídio qualificado e também por fraude processual, por supostamente tentar alterar a cena do crime para dificultar as investigações.
Simulação de acidente
Ministério Público aponta mudança de versões, vestígios incompatíveis com o relato inicial e indícios de alteração da cena para dificultar as investigações.
O casal acionou o Samu ao perceber que o bebê estava sangrando pelo nariz e sem sinais de respiração.
Pais disseram que poderiam ter se deitado sobre a criança durante o sono, provocando uma possível asfixia.
Vestígios de sangue foram encontrados em outro cômodo, o que não condizia com o relato inicial.
Pais mudam o relato e dizem que, por estarem embriagados, deixaram a criança cair.
Necropsia aponta hematomas recentes e antigos, sugerindo possíveis agressões anteriores.
Lesões indicam que o bebê pode ter sido arremessado contra uma superfície rígida.
Investigação aponta tentativa de simular um acidente doméstico para dificultar a apuração.
Com base nas provas periciais e nas versões contraditórias, o Ministério Público concluiu que não se trata de acidente, mas de possível homicídio qualificado com tentativa de encobrir o crime.



