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MPF fiscaliza políticas de emprego à mulheres vítimas de violência em MT

A medida considerou dados alarmantes sobre a violência de gênero e registros de feminicídio no estado

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para acompanhar a implementação de políticas públicas voltadas à empregabilidade de mulheres vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. A medida foi oficializada no dia 10 de março e publicada no Diário Oficial.

De acordo com o documento, a iniciativa deve fiscalizar e incentivar ações que ampliem oportunidades de trabalho para mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo mulheres trans e travestis, e contribuir com a independência econômica e a proteção das vítimas de violência.

A portaria considera dados alarmantes sobre a violência de gênero no país. Entre janeiro e julho de 2025, o Ligue 180 registrou mais de 86 mil denúncias de violência contra mulheres. Em Mato Grosso, foram contabilizados 51 feminicídios entre janeiro e novembro do mesmo ano, conforme a Polícia Civil.

“De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025), Mato Grosso liderou o ranqueamento nacional de feminicídios por grupo de 100.000 mulheres no ano de 2024, com a alarmante taxa de 2,5, superior à já elevada taxa nacional de 1,4/100.000 mulheres, o que demonstra a necessidade de intensificar estratégias locais de enfrentamento à violência de gênero”, diz trecho da portaria.

O MPF destaca que a violência contra a mulher não se restringe à agressão física, mas inclui também formas psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais, conforme previsto na Lei Maria da Penha. Essas situações, segundo o órgão, impactam diretamente a autonomia financeira das vítimas e dificultam sua inserção no mercado de trabalho.

Sede do MPF (Ministério Público Federal) em Brasília.
Ministério Público Federal cobra implementação de políticas de empregabilidade para mulheres vítimas de violência. (Foto: Antonio Augusto/MPF)

A medida também leva em conta a legislação recente que permite à administração pública exigir, em contratos, a contratação de um percentual mínimo de mulheres vítimas de violência doméstica, além de considerar ações de equidade de gênero como critério de desempate em licitações.

Com o procedimento, o MPF pretende fomentar a capacitação técnica junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e ao Ministério das Mulheres, além de estimular a formalização de acordos de cooperação para viabilizar a contratação dessas mulheres no âmbito da instituição.

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