O avanço acelerado da produção agrícola em Mato Grosso tem reforçado o protagonismo do estado no agronegócio e também trazido para o foco um dos principais desafios do setor no Centro-Oeste: a logística. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), enquanto as áreas de semeadura e colheita avançaram, os preços do frete também seguem em alta.
Ainda de acordo com o Imea, a semeadura do algodão em MT já atingiu 89,91% da área prevista, enquanto a colheita da soja alcançou 39,61%, impulsionada pelo ritmo intenso das atividades no campo. No entanto, esse avanço ocorre em paralelo a problemas logísticos, como limitações na infraestrutura rodoviária, custos elevados de transporte e dependência de corredores de exportação ainda restritos.
Os relatórios semanais do Instituto indicam que, apesar da boa performance agrícola, os custos com frete seguem em alta e impactam diretamente o escoamento da produção. Rotas estratégicas, como as que ligam o norte de Mato Grosso aos portos do Arco Norte e do Sudeste, estão entre as mais afetadas pela elevação dos preços.
Diante desse cenário, produtores e analistas destacam que o ritmo acelerado da produção exige avanços estruturais para evitar perdas de eficiência. Investimentos em armazenagem, ampliação de ferrovias, melhoria das rodovias e fortalecimento dos corredores logísticos do Arco Norte são considerados essenciais para sustentar o crescimento do agronegócio.
Avanço na exportação
Os números positivos das exportações de soja também são destaque no levantamento do Imea, já que Mato Grosso respondeu por aproximadamente 26% do volume total escoado em janeiro de 2026, somando mais de 400 mil toneladas embarcadas. Como resultado, o volume exportado pelo estado ficou 202% acima do registrado em janeiro de 2025 e 96,32% superior à média dos últimos cinco anos para o mês.
O preço médio do milho no estado registrou queda de 1,19% no comparativo semanal, resultado da baixa procura pelo cereal na primeira semana de fevereiro. Para o Instituto, a retração no valor está associada também à menor demanda das indústrias, já que parte delas realizou aquisições expressivas ao longo de 2025, mantendo estoques elevados neste início de temporada.

