sexta-feira, 3 abril 2026
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MT ocupa o 12º lugar em assassinato de pessoas trans e travesti

No Estado, dossiê da Antra, divulgado ontem (26), mostra que desde 2017 foram mapeados 43 assassinatos de travestis, mulheres transexuais, homens trans, pessoas transmasculinas e não binárias

Mato Grosso foi o 12º estado que mais matou pessoas trans e travestis em 2025, segundo um levantamento produzido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado ontem (26). No Brasil, ocorreram 80 assassinatos no ano passado, uma queda de 34% em relação a 2024, com 122 ocorrências.

Seguindo a tendência nacional, o Estado também registrou queda (-62,5%) em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas oito mortes, o que o deixou na sexta posição do ranking. O relatório da Antra antecede o Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado dia 29 de janeiro.

Ainda em nível estadual, desde 2017 quando a Antra passou a sistematizar os dados de forma contínua, foram mapeados 43 homicídios de travestis, mulheres transexuais, homens trans, pessoas transmasculinas e não binárias.

Um dos casos que chamou a atenção foi a execução da mulher trans Thayla da Costa Vieira, 25 anos, encontrada morta no fim de janeiro do ano passado, em uma lavoura próxima ao estádio municipal de Sapezal (473 km de Cuiabá). À época, a Polícia Civil informou que o corpo de Thayla Vieira apresentava sinais de violência com ferimentos de arma perfurante.

Além disso, as mãos da vítima estavam amarradas e a cabeça estava decapitada ao lado do corpo. Dias antes, a jovem transexual Ayla Pereira dos Santos foi encontrada morta com a amiga Anna Clara Ramos Felipe, ambos 18 anos, em uma região de mata em Tangará da Serra (242 km de Cuiabá).

O corpo de Anna Clara estava escondido em uma moita e tinha marcas de queimadura nas costas, causadas por tortura. Já o corpo da jovem transexual Ayla Pereira, foi encontrado em uma cova rasa, amordaçado e apresentava marcas de queimadura nas costas.

No país, foram 1.261 homicídios de pessoas em virtude de serem quem elas são ao longo dos últimos nove anos. Em 2022, foram 131 ocorrências, número que subiu para 145 no ano seguinte. O dossiê mostra também que do total de homicídios registrados em 2025, 77 foram contra travestis e mulheres transexuais e três contra homens trans e pessoas transmasculinas.

Empatados, Minas Gerais e o Ceará ocupam o topo do índice de assassinatos de pessoas trans dentre as 27 unidades da Federação, sendo seguidos pela Bahia e por Pernambuco, com sete mortes cada, e pelos estados de Goiás, Maranhão e Pará, com cinco registros cada. A Paraíba, o Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo contabilizaram quatro ocorrências cada.

A redução dos crimes, no entanto, é interpretada com cautela pela Associação. “Em um contexto marcado pelo avanço da agenda antitrans, por omissões deliberadas do Estado, pela ausência de políticas públicas específicas de enfrentamento à transfobia e pela persistência do Brasil como o país que mais mata pessoas trans, sobretudo travestis e mulheres trans, no mundo, qualquer leitura celebratória destes dados seria não apenas equivocada, mas perigosa”, aponta o relatório.

Entre os fatores apontados para a redução estão dificuldades crescentes de monitoramento e divulgação dos casos utilizados como fonte da pesquisa; retração da cobertura nos meios de comunicação de grande circulação e concentração das notícias em portais regionais e de baixo alcance; controle, censura e limitação de alcance de conteúdos e perfis nas redes sociais.

Também são apontados ataques sistemáticos à produção de dados e tentativas de deslegitimação do trabalho da Antra e de outras organizações; medo generalizado, redução da circulação e maior isolamento da população trans; e descrédito nas instituições de segurança e justiça aliado à construção artificial de uma narrativa de normalização da violência.

Conforme a Associação, é evidente que persistem frentes de resposta coletiva, organizada, estratégica em curso. “A dissidência trans não se resigna. Mostra que a luta por direitos não é abstrata, mas concreta, cotidiana, vital. A Antra não apenas documenta: a Antra convoca. Convoca à solidariedade, à responsabilidade institucional, à mobilização permanente”, diz.

O objetivo do dossiê é orientar e servir como base para reivindicações consistentes, para a formulação de políticas de proteção efetiva e para a construção de alianças amplas com órgãos do Estado, instituições de ensino, sindicatos, movimentos sociais e organismos internacionais.

“Reconhecer a transfobia como um problema estrutural é apenas o primeiro passo. Transformá-la em prioridade política, institucional e social é uma tarefa coletiva e permanente, à qual a Antra se soma, ao reafirmar seu compromisso com a vida, a dignidade e a construção de um país onde todas as identidades tenham espaço”, pontua.

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