Mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou 11,7 mil pessoas vivendo em 147 áreas de risco localizadas em 27 municípios de Mato Grosso. Vizinha à Cuiabá, Várzea Grande é a cidade com maior o número de locais identificados, num total de 32 pontos sujeitos a inundação e enchentes e onde residem 980 pessoas em 255 domicílios.
O levantamento faz parte do planejamento anual do SGB, que está inserido no Plano Plurianual 2024-2027 do Governo Federal. Em todo país, são apontadas mais de 17,6 mil áreas de risco, com mais de 1,7 milhão de moradias e 4,6 milhões de pessoas. Os dados, no entanto, se referem exclusivamente aos municípios mapeados pelo SGB e não correspondem à totalidade dos municípios brasileiros. Até o momento, já foram publicadas Cartografias de Áreas de Risco para mais de 1,8 mil cidades.
Quanto aos processos geológicos relacionados aos locais de risco, Várzea Grande tem grande parte dos domicílios em áreas sujeitas a sofrerem perdas ou danos decorrentes de inundações (82,86%), e uma parcela dos domicílios se encontra em áreas sujeitas a alagamento (17,14%), conforme informações da Carta de Suscetibilidade Gravitacionais de Massa e Inundações.
Para amenizar ou tentar evitar maiores danos, especialmente nesse período de chuvas, a Prefeitura deu início ao “VG em Ação”, um mutirão que vem sendo executado pelos diferentes bairros da cidade levando serviços de limpeza urbana, poda de árvores, retirada de entulhos, eliminação de bolsões de lixo e revitalização das áreas públicas.
Já Cuiabá, apesar de menor número de áreas de risco mapeadas (8), tem a maior quantidade de moradias e pessoas vivendo nesses locais: 353 imóveis e dois mil moradores. Do total, sete são classificados como de “alto” perigo, e uma como de “risco muito alto” para inundação (6); deslizamento (1) e erosão (1).
Outras 10 cidades mato-grossenses com maior número de pontos de risco levantados são Barra do Garças, com 20 locais, seguida de Nova Xavantina (15), Santo Antônio de Leverger (11); Santa Terezinha (9); Paratinga (8); Cuiabá (8); Barra do Bugres (6); Primavera do Leste (6) e Nova Mutum (4).
O mapeamento mais recente foi realizado em Água Boa (730 km ao Nordeste de Cuiabá), onde foram verificou quatro áreas de risco geológico muito alto, onde estão 18 imóveis e vivem 72 pessoas, no Bairro Operário e no Distrito de Serrinha. Entre os perigos relacionados estão processos de inundação, enxurrada e erosão. Também estão associadas ao crescimento urbano desordenado somado às características naturais dos terrenos do município.
Em Água Boa, o SBG aponta que, com relação ao mapeamento anterior, realizado em 2012, os resultados mostram aumento do número de áreas de risco geológico no município, o que se deve à modificação na metodologia utilizada.
Conforme o SGB, os mapeamentos de áreas de risco são estudos que ajudam na definição de critérios para disponibilização de recursos públicos destinados ao financiamento de obras de prevenção e resposta a desastres. Além disso, dão suporte às políticas públicas habitacionais e de saneamento, sendo um importante instrumento para reduzir vulnerabilidades sociais e promover o desenvolvimento regional.
Para isso, traz recomendações de medidas que podem ser adotadas para erradicar ou reduzir os riscos existentes, como fortalecimento da Defesa Civil Municipal e a realocação de pessoas que vivem em áreas de risco durante o período de chuvas, entre outras orientações.

