Os peixes sentem sede?

No cerne desse processo está a homeostase – que é a capacidade de um organismo de gerir a si próprio, mantendo em níveis estáveis a temperatura corporal, o pH, e os níveis de glicose. Sim, os peixes têm glicose e a utilizam como principal fonte de energia.
“É preciso pensar em um peixe como uma espécie de barco com vazamentos na água. Há constantemente um movimento de água ou de sais entre o corpo do peixe e o ambiente externo”, explica o biólogo marinho Tim Grabowski, da Universidade do Havaí, em comunicado à LiveScience.
Em se tratando dos animais de água salgada, os peixes sentem sede, aliás, sentem não, vivem com sede. Isto acontece porque o sangue desses peixes tem uma concentração de sódio muito menor do que a água do mar, o que leva os animais a perderem água constantemente para o ambiente, aumentando a sede.
No processo evolutivo dos peixes de água salgada, foram desenvolvidas as células de cloreto que ficam nas brânquias e operam como bombas que expulsam o excesso de sal no organismo. Diante desse cenário, os peixes de água salgada urinam com menor frequência.
Já para os peixes de água doce acontece o oposto. Devido a baixa salinidade contida nos rios e lagos, a água está constantemente entrando nos corpos desses animais, e eles a absorvem como uma esponja. Por isso, eles praticamente não bebem água – exceto por acidente enquanto se alimentam – e urinam o tempo todo.
Em suma, os peixes sentem sede. Mas o processo evolutivo levou os peixes de água doce a criarem estratégias fisiológicas que permitissem concentrar sais no organismo, enquanto os peixes marinhos, por uma questão de sobrevivência, desenvolveram as células especiais que liberam o organismo do excesso de sal para viverem com qualidade em um ambiente com alta salinidade.

Angelina Miranda é jornalista formada pela UNIP. Com dez anos de atuação, atuou como repórter na Folha de S. Paulo e também colaborou para a Revista Fórum. É redatora no Olhar Digital desde 2023.

Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.



