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Setembro amarelo: preconceito eleva risco de suicídio entre pessoas com HIV

Cerca de um milhão de pessoas vivem com HIV no Brasil e uma pesquisa revelou que 64% já sofreu preconceito pela condição, o que impacta na saúde mental dessas pessoas

No Brasil, cerca de 1,4 milhão de pessoas vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), segundo dados do Ministério da Saúde. Para além dos desafios médicos do tratamento, as pessoas vivendo com HIV (PVHIV) ainda enfrentam diariamente o impacto do estigma e da discriminação, que se refletem diretamente na saúde mental. O tema ganha ainda mais relevância no Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio.

O estudo Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS realizado em capitais brasileiras revelou que mais de 64% dos entrevistados já sofreram algum tipo de discriminação. Os relatos incluem perda de emprego, isolamento social, comentários ofensivos e até agressões físicas. Muitas vezes, o preconceito parte de familiares, colegas de trabalho e até profissionais de saúde.

Pós-diagnóstico

Conforme a psicóloga clínica Camiéle Benedita, os transtornos mais comuns nesta parcela da população são ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e baixa autoestima.

“O estigma faz com que muitos internalizem a ideia de que são culpados ou ‘sujos’, o que afeta profundamente a autoimagem e pode levar ao isolamento social”, explica.

Os transtornos mais comuns nesta parcela da população são ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e baixa autoestima. (Foto: Agência Brasil).

O diagnóstico também pode gerar crises de identidade e sobrecarga emocional. Ainda segundo psicóloga, lidar com consultas médicas constantes, efeitos colaterais e o medo do julgamento social coloca a pessoa em um estado de alerta contínuo.

A profissional alerta ainda para o risco aumentado de “ideação suicida” entre pessoas que vivem com HIV.

“O isolamento social é uma das consequências mais cruéis do preconceito. Ele não apenas afasta do convívio, mas mina a autoestima e a vontade de viver”, afirma.

Acolhimento

Entre as estratégias de enfrentamento as crises psicológicas, Camiéle destaca a importância da psicoterapia, redes de apoio, grupos terapêuticos e integração entre serviços de saúde mental e infectologia.

“A terapia não cura o HIV, mas pode curar a ferida invisível que o preconceito deixa. Isso muda a forma como a pessoa se vê, se cuida e se conecta com o mundo”, conclui.

Tratamento

Com os avanços da medicina, atualmente, é possível ser portador do vírus do HIV e ter uma melhor qualidade de vida. O tratamento feito é chamado de Terapia Antirretroviral (TARV), envolve a toma regular de medicamentos que bloqueiam a multiplicação do vírus no organismo. Assim, o paciente se alcança a condição de indetectável e não transmite o vírus em relações sexuais desprotegidas. No Brasil, o tratamento é feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Vidas perdidas

Conforme a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 700 mil pessoas morrem por ano devido ao suicídio. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.

A campanha Setembro Amarelo surge como forma de debater o problema social e buscar estratégias para reverter a situação que atinge milhares de pessoas.

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