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O milho que move MT: biocombustível garante energia limpa nas cidades

Com usinas flex e mercado interno aquecido, MT transforma o milho em energia limpa e desenvolvimento regional

Em Mato Grosso, o milho ganhou um novo sentido como matéria-prima do etanol. Ao mesmo tempo em que melhorou o lucro dos produtores rurais, limpou o ar de quem vive na zona urbana. A cadeia produtiva do “ouro das lavouras” gera desenvolvimento econômico e, como biocombustível, reduz em até 45% as emissões de gases de efeito estufa em relação à gasolina.

Maior produtor de milho do país, Mato Grosso também lidera a produção de etanol do Brasil.

A química que move a sustentabilidade

A diferença entre a gasolina e o etanol é fundamental para entender os impactos ambientais. O químico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Ailton Terezo esclarece que a gasolina, derivada do petróleo, é uma mistura de hidrocarbonetos que, ao ser queimada, libera carbono aprisionado há milhões de anos, adicionando novo CO₂ à atmosfera.

Já o etanol é um álcool produzido pela fermentação de biomassa, como milho ou cana. “Embora a queima também libere CO₂, esse carbono faz parte de um ciclo mais curto: é reabsorvido pelas plantas na próxima safra”, explica Terezo. Essa característica faz do etanol um “combustível renovável”, pois sua matéria-prima pode ser reposta em escala de tempo humana, ao contrário dos combustíveis fósseis.

Quando o cálculo considera todo o ciclo de vida, desde o plantio, uso de fertilizantes, colheita, transporte, processo industrial até o consumo final, estudos do USDA e da EPA apontam que o etanol de milho pode reduzir as emissões de Gases de Efeito estufa entre 40% e 45% em comparação com a gasolina.

No entanto, Terezo ressalta que esse ganho depende de escolhas operacionais, como a eficiência na produção de fertilizantes, menor uso de irrigação e uma boa gestão energética nas usinas. Em contraste com os EUA, onde a cultura do milho pode exigir irrigação intensa, no Brasil, o uso de irrigação para o milho é significativamente menor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O gigante do milho e a virada estratégica de MT

Mato Grosso classifica-se como o segundo maior produtor de milho do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Nas últimas safras, o milho de segunda safra consolidou-se como um pilar da economia rural do estado. Em 2023/24, Mato Grosso produziu 43,8 milhões de toneladas de milho, respondendo por 38% da safra nacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A industrialização desse grão, transformando-o em etanol dentro do próprio estado, agrega valor e amplia o mercado interno.

“Em vez de exportarmos grãos, exportamos o etanol, que tem um valor agregado melhor. Então a gente vai ter uma renda, uma maior movimentação de recursos dentro do estado”, explica o engenheiro agrônomo Henrique Eggers.

Essa dinâmica oferece segurança ao produtor rural, que tem “onde entregar seu milho” e quem consuma esses grãos. Isso incentiva investimentos em produtividade, tecnologia e manejo nas lavouras. A maioria do milho produzido em Mato Grosso (mais de 70%) é direcionada para consumo interno, abastecendo as cadeias locais, o que favorece a instalação e operação de usinas integradas à safra do estado.

Mato Grosso atingiu a liderança na produção nacional de etanol (cana e milho) na safra 2024/25, com 6,70 bilhões de litros, um aumento de 17,9% em relação ao período anterior. Atualmente, o estado conta com 18 indústrias de etanol, com mais quatro planejadas para os próximos anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitas usinas em Mato Grosso operam em um sistema “flex”, aproveitando estruturas ociosas para produzir etanol de milho na entressafra da cana, otimizando investimentos e o aproveitamento da energia excedente do bagaço de cana. Essa estratégia maximiza a eficiência dos ativos industriais.

milho racao
Milho também é usado para a produção de ração animal – Foto: Reprodução

Os múltiplos ganhos: da ração animal à energia limpa

A indústria do etanol de milho oferece uma ampla gama de coprodutos que diversificam as receitas e fortalecem o agronegócio. Dentre eles, os DDG (grãos secos por destilação) e DDGS (grãos secos por destilação com solúveis) são componentes importantes para a nutrição animal, utilizados em dietas de bovinos, suínos, aves, peixes e animais de companhia.

Na safra 2023/24, a produção de DDG em Mato Grosso alcançou 2,12 milhões de toneladas, um aumento em relação ao período anterior. Os principais mercados para o DDG mato-grossense incluem Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul, além do consumo interno.

Essa indústria traz, no mínimo, quatro importantes benefícios para o paí, como produção de biocombustíveis e óleo de milho; fornecimento de fertilizantes e proteína vegetal para alimentação animal e levedura, segundo o presidente do Bioind MT (Sindicato das Indústrias de Bioenergia do estado), Silvio Rangel.

Para ele, é um setor onde tudo é reaproveitado e produz renda, gera empregos e aumenta a arrecadação de impostos. O óleo de milho, por exemplo, possui diversas aplicações, desde ração animal até as indústrias de biodiesel, alimentícia, farmacêutica e química.

A cogeração de energia utilizando biomassa (resíduos da própria produção, como bagaço de cana ou cavaco de eucalipto) é crucial para reduzir a intensidade de carbono por litro de etanol produzido. Mato Grosso, inclusive, concorre para ter a primeira indústria de etanol carbono negativo do mundo, por meio da tecnologia de BECCS (bioenergia com captura e armazenamento de carbono).

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Etanol apresenta o melhor custo operacional do mercado para os produtores – Foto: Reprodução

A aviação agrícola tem crescido, se modernizado e se tornado cada vez mais sustentável no estado. Entre as inovações voltadas ao meio ambiente.

Para a presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Hoana Almeida, a sustentabilidade do setor, para ele continuar forte, eficiente e comprometido com o meio ambiente.

Segundo o Sindag, com mais de 2,7 mil aviões, o Brasil tem a segunda maior frota de aviões agrícolas do mundo e 18,5% dessa frota é movido a etanol.

Além da sustentabilidade do etanol, por ser um “combustível limpo”, ele apresenta o melhor custo operacional do mercado para os produtores, conforme a Embraer.

“Isso ajuda muito em momentos de dificuldades, quando o produtor tem problemas na aquisição de crédito. O avião também apresenta maior produtividade”, explicou Sany Onofre, diretor de negócios da Embraer.

Desafios para garantir a sustentabilidade

Apesar dos benefícios, a expansão do etanol de milho exige um olhar crítico e medidas de mitigação para garantir a sustentabilidade do setor. É fundamental fiscalizar:

  • Competição com alimentos: Embora a grande produção de milho em Mato Grosso reduza esse risco no cenário atual, é um ponto a ser acompanhado para garantir que o avanço das áreas para milho de etanol não pressione culturas alimentares locais.
  • Uso de fertilizantes e emissões indiretas: O cultivo de milho é exigente em nitrogênio, e o uso de fertilizantes pode ter impactos nos recursos hídricos se não for bem manejado. No entanto, a cultura do milho produz muita palhada, o que contribui para a conservação do solo, reduz a erosão e pode diminuir o uso de herbicidas, fatores positivos para a sustentabilidade.
  • Expansão sobre biomas sensíveis: há preocupações sobre o avanço de lavouras de milho em biomas como a Amazônia e o Cerrado, semelhante ao que ocorreu com a soja. É essencial checar as formas de expansão e evitar o desmatamento direto ou indireto.
  • Logística e infraestrutura: investimentos em armazéns e infraestrutura são desafios e oportunidades para escalar a produção com eficiência, garantindo transporte otimizado entre fazendas e usinas.
  • Condições trabalhistas e direitos territoriais: verificar contratos entre usinas e produtores, além dos impactos em povos tradicionais e indígenas, é crucial para uma pauta de benefício público e respeito social.

A pesquisa e o desenvolvimento são essenciais para o futuro da sustentabilidade, buscando leveduras e enzimas mais eficientes, práticas agrícolas de baixo impacto e a viabilidade de biocombustíveis de segunda e terceira gerações.

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