sexta-feira, 24 abril 2026
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O avanço dos MEIs, a precarização, o silêncio dos números e a demagogia do governo

Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) o Brasil fechou o primeiro semestre de 2025 com um número que, à primeira vista, pode ser comemorado: 2,6 milhões de novos pequenos negócios foram abertos no país. Um crescimento de 23% em relação ao mesmo período de 2024.

Mas como quase tudo neste país de contrastes, a realidade por trás do dado é menos cor-de-rosa do que aparenta.

Os microempreendedores individuais (MEIs) — modelo simplificado, acessível e, muitas vezes, última alternativa para trabalhadores desempregados — representaram 77,3% dessas novas aberturas. Um salto de 24,5% em relação ao ano anterior. No entanto, o que está sendo vendido como “pujança empreendedora” esconde, na verdade, um sintoma crônico: o colapso do mercado formal de trabalho e a ausência de uma política séria de geração de empregos e capacitação de mão de obra.

Avalanche de MEIs e nenhuma grande empresa

Enquanto MEIs, microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) somam milhões, o número de novas indústrias ou empresas com mais de 500 empregados sequer é divulgado. Procuramos, e a resposta dos órgãos oficiais — IBGE, Receita Federal, Sebrae e Caged — foi o silêncio. A ausência de dados concretos sobre grandes corporações escancara o desinteresse (ou o receio) de tornar público o que todo trabalhador já percebe: não há geração expressiva de emprego de qualidade no Brasil.

Essa omissão estatística é tão gritante quanto simbólica. Indica que o país segue apostando em um modelo onde o cidadão, sem alternativa, se autodeclara “empresário individual” para sobreviver vendendo bolo na esquina ou prestando serviço informalizado por aplicativo.

Assistencialismo em alta, qualificação em baixa

Ao mesmo tempo em que as estatísticas do empreendedorismo informal sobem, o investimento público em qualificação profissional segue em queda. O que se vê, com fartura, são programas assistenciais com forte apelo político e zero estratégia de médio ou longo prazo.

Lula, com o ministro Fernando Haddad: governo central se contenta com o imediatismo da transferência de renda, mas foge da responsabilidade de criar um ambiente sólido para a geração de empregos formais.

A falsa dicotomia entre “ajuda emergencial” e “empregabilidade sustentável” tem sido alimentada por um governo central que se contenta com o imediatismo da transferência de renda (e ostenta isso enaltecendo seu nocivo paternalismo, numa irônica demagogia), mas foge da responsabilidade de criar um ambiente sólido para a geração de empregos formais.

IBGE: os dados que não vêm

Como se não bastasse a precarização disfarçada de empreendedorismo, chama atenção a inexplicável demora do IBGE em divulgar os dados do PIB dos municípios relativos a 2022 e 2023. A promessa de que esses números sairão apenas em 2025, três anos após o período de referência, é no mínimo suspeita.

IBGE: Demora na divulgação dos números do PIB e outras estatísticas reforça suspeitas de manipulação de dados pelo atual governo.

Trata-se de um apagão estatístico que compromete a transparência e levanta dúvidas sobre a integridade técnica de um instituto historicamente confiável, mas que vem sofrendo com pressões políticas, cortes orçamentários e uma desorganização institucional que interessa a muitos.

A postergação da divulgação de dados econômicos fundamentais, como o PIB municipal, alimenta a desinformação e inviabiliza o planejamento em todas as esferas de governo — municipal, estadual e federal. E pior: abre espaço para manipulações narrativas em ano pré-eleitoral, onde o discurso se sobrepõe à realidade.

Um país que celebra o improviso

No Brasil de 2025, o empreendedorismo virou sinônimo de informalidade, o emprego é cada vez mais uma raridade, e os números oficiais desaparecem quando mais se precisa deles. Celebrar a multiplicação dos MEIs sem discutir suas causas estruturais é tão irresponsável quanto perigoso.

O país precisa de política industrial, de investimento em educação técnica e de uma revalorização do trabalho formal. Precisa também de um IBGE livre, ágil e blindado contra pressões ideológicas e interesses escusos.

Enquanto isso não acontece, seguimos com a celebração do improviso, onde o “Brasil que dá certo” é, na verdade, um país que se vira como pode — e cada vez mais sozinho.

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