Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, revelam que das 28 vítimas de feminicídio no primeiro semestre de 2025, apenas quatro tinham registrado boletim de ocorrência contra o agressor e duas tinham medidas protetivas. O número de feminicídios este ano apresenta aumento de 47% em relação ao primeiro semestre do ano passado, quando foram 19 vítimas. A faixa etária mais atingida foi a de 25 a 29 anos, com seis casos registrados. Em seguida vêm as faixas de 40 a 44 anos, com cinco vítimas, e de 50 a 54 anos, com quatro assassinatos.
Conforme o Observatório, a maioria dos assassinatos ocorreu no período noturno e teve como principal motivação o machismo – ciúmes, sentimento de posse, menosprezo, discriminação de gênero, separações ou tentativas de rompimento – sendo responsável por 75% das motivações relacionadas à condição de gênero. Mais de 70% dos feminicídios registrados no estado em 2025 foram cometidos dentro das residências das vítimas.
Os autores dos crimes são, majoritariamente, homens com vínculos afetivos com as vítimas: 14 eram companheiros e 6 eram ex-companheiros ou namorados. Promotora de Justiça, Claire Vogel Dutra, titular da 15ª Promotoria de Justiça Criminal e coordenadora do Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica da Capital, frisa que a divulgação e a análise dos dados permitem identificar padrões de agressão e embasam a criação de políticas públicas mais eficientes na prevenção e no combate à violência contra a mulher.
“Precisamos enxergar essas estatísticas como um alerta coletivo, que exige ações firmes do Estado e o envolvimento da sociedade como um todo”. Advogada que atua na defesa da mulher, Karime Dogan reforça a importância de ter registro de ocorrência para, além da proteção à vítima, produzir levantamento e pesquisa que trazem informações aos órgãos.
“Se não têm números oficiais, considera que não está ocorrendo a violência. Políticas públicas só acontecem com apresentação de dados. É importante conhecer se essas vítimas que tinham registrado ocorrência se tinham conhecimento da Lei Maria da Penha, qual escolaridade delas, raça, dentre outras informações.
Da mesma forma, necessário o recorte das que não registraram ocorrência e foram vítimas de feminicídio. Mas, de forma geral, podemos falar da falta de conhecimento da importância das mulheres vítimas terem conscientização dos riscos que ela passa. Muitas mulheres não acreditam e subestimam que podem ser vítimas de feminicídio”.



