Ao todo, foram analisadas 248 amostras de carnes, laticínios, miúdos e equipamentos de indústrias de alimentos de sete estados brasileiros.
Apesar da alta incidência da L. monocytogenes nas amostras alimentícias, não houve presença da bactéria nos equipamentos analisados, que incluem embutidora, desossador, seladora, tanque e prensa.
“Considerando os trabalhos publicados no Brasil e em diversas partes do mundo destacando a sua ocorrência em plantas de processamento, nos surpreendeu a ausência da bactéria nas amostras de equipamentos”, conta Daniel Lucino, pesquisador da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e um dos autores do trabalho.
Apesar de ser pouco frequente, a listeriose humana é uma doença grave devido à alta taxa de letalidade em grupos de risco, como gestantes, recém-nascidos, idosos e pessoas com imunidade comprometida, como pacientes oncológicos. Nos Estados Unidos, estima-se que ocorram 1.600 casos anuais, resultando em mais de 260 mortes. No Brasil, a doença é subdiagnosticada e subnotificada, sem registros oficiais pelo Ministério da Saúde.
Segundo Lucino, a legislação brasileira fiscaliza a existência de padrões microbiológicos vigentes de L. monocytogenes apenas em produtos prontos para o consumo. “Os resultados da pesquisa sugerem a ampliação das categorias contempladas com os padrões legais, como os embutidos, por exemplo”, analisa o pesquisador.
O grupo de pesquisa aguarda a publicação de outro estudo que detectou a Listeria spp. e a L. monocytogenes usando PCR, analisando sua distribuição em matadouros e frigoríficos de bovinos em alguns estados brasileiros, buscando contribuir com mais dados para fomento e incentivo de políticas públicas sanitárias com maior embasamento em dados coletados nacionalmente.
(Da Agência Bori)

