quarta-feira, 29 abril 2026
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MT tem o 2º menor índice de desigualdade do país e renda média cresce 12,5%

Estado só fica atrás de Santa Catarina no índice de Gini e tem 7º maior rendimento médio entre as unidades da federação

Mato Grosso registrou o segundo menor índice de desigualdade de renda do país em 2024, ficando atrás apenas de Santa Catarina, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE.

No mesmo período, o rendimento médio real da população do estado cresceu 12,5%, passando de R$ 3.024 em 2023 para R$ 3.402, o que coloca Mato Grosso na 7ª posição entre os maiores rendimentos do Brasil.

O dado considera todas as fontes de renda da população, incluindo trabalho, aposentadorias, programas sociais e rendimentos diversos como aluguéis ou aplicações financeiras. Em Mato Grosso, 65,7% da população possuíam algum tipo de rendimento em 2024 – cerca de 2,3 milhões de pessoas.

O levantamento mostra ainda que o rendimento médio do trabalho também aumentou, passando de R$ 3.245 para R$ 3.510. O valor mantém Mato Grosso entre os sete estados com os maiores rendimentos do trabalho, embora o estado tenha sido ultrapassado por Paraná e Rio Grande do Sul em relação ao ano anterior.

Trabalho segue como principal fonte de renda

O trabalho segue sendo a principal base da renda dos mato-grossenses: 83,2% do rendimento médio domiciliar per capita vêm de ocupações formais ou informais. A população ocupada no estado passou de 1,8 milhão para 1,92 milhão entre 2023 e 2024, um crescimento de 6,5%.

Em termos de massa de rendimento do trabalho – a soma do rendimento de todas as pessoas ocupadas – Mato Grosso também bateu recorde: R$ 6,7 bilhões mensais em 2024, 10,3% a mais que no ano anterior.

Desigualdade em queda

O estado também se destacou pelo baixo nível de desigualdade de renda. O índice de Gini de Mato Grosso foi de 0,426, o segundo menor do país, atrás apenas de Santa Catarina (0,412). O indicador mede a concentração de renda em uma escala de 0 (igualdade total) a 1 (desigualdade máxima).

Na região Centro-Oeste, Mato Grosso lidera com o melhor índice. O Distrito Federal, por exemplo, tem o maior índice de desigualdade do país: 0,535.

Programas sociais têm menor peso no estado

A pesquisa aponta ainda que apenas 6,9% da população de Mato Grosso recebeu algum tipo de programa social do governo em 2024, como o Bolsa Família. O percentual está bem abaixo da média nacional (9,2%) e é o sexto menor entre os estados.

Mesmo assim, as condições estruturais nos domicílios com beneficiários ainda são precárias: apenas 30,7% tinham acesso a esgotamento sanitário adequado.

???? Beneficiários do Bolsa Família por Estado (2024)

Veja quais estados brasileiros têm mais domicílios beneficiados pelo programa:

  • ???? Maranhão — 41,3%
  • ???? Piauí — 39,2%
  • ???? Pará — 38,2%
  • ???? Amazonas — 35,2%
  • ???? Paraíba — 35,0%
  • ???? Acre — 34,8%
  • ???? Alagoas — 34,4%
  • ???? Amapá — 34,0%
  • ???? Ceará — 33,7%
  • ???? Bahia — 33,7%
  • ???? Sergipe — 33,1%
  • ???? Pernambuco — 32,9%
  • ???? Rio Grande do Norte — 28,2%
  • ???? Roraima — 24,4%
  • ???? Tocantins — 23,1%
  • ???? Média nacional — 18,7%
  • ???? Rondônia — 14,4%
  • ???? Minas Gerais — 14,0%
  • ???? Rio de Janeiro — 13,7%
  • ???? Mato Grosso — 13,7%
  • ???? Espírito Santo — 13,6%
  • ???? Mato Grosso do Sul — 13,2%
  • ???? Distrito Federal — 13,2%
  • ???? Goiás — 12,4%
  • ???? Rio Grande do Sul — 9,6%
  • ???? São Paulo — 8,9%
  • ???? Paraná — 8,9%
  • ???? Santa Catarina — 4,4%

Fonte: IBGE, PNAD Contínua 2024

Rendimento per capita também é recorde

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita do estado também alcançou o maior valor da série histórica, chegando a R$ 2.235 em 2024. O aumento foi de 9,9% em relação a 2023. Em domicílios sem benefícios sociais, esse rendimento chegou a R$ 2.522, enquanto entre os que recebiam Bolsa Família foi de R$ 968.

Concentração de renda é menor que a média nacional

Outro destaque foi a renda per capita dos 40% mais pobres da população, que chegou a R$ 824 em Mato Grosso – o quinto melhor do país e bem acima da média nacional (R$ 601). A razão entre a renda dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres caiu de 9,8 para 9,3 vezes, mas manteve-se estagnada quando se considera o 1% mais rico, que recebe 25 vezes mais.

???? Renda dos mais ricos x mais pobres

???? Os 10% mais ricos ganham, em média, 9,3 vezes mais que os 40% mais pobres
(em 2023, essa diferença era de 9,8 vezes)

???? O 1% mais rico ganha 25 vezes mais que os 40% com menor renda
(mesmo valor registrado em 2023)

???? A desigualdade entre os 10% mais ricos e os mais pobres caiu em 2024
(a elite do 1% manteve a distância)

Os dados foram coletados em cerca de 5.500 domicílios visitados pelo IBGE em Mato Grosso ao longo de 2024.

indice financeiro
(Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Pesquisas por Amostra de Domicílios, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua)
2012/2024.
Notas: 1. A preços médios do ano
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