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Afastamentos por doenças mentais pelo INSS têm aumento de 68%

No último ano foram registrados 472.328 afastamentos, um aumento de 68%, se comparado a 2020, quando o número de pessoas afastadas por doenças mentais foi de 91,6 mil

O número de afastamentos por doenças mentais triplicou entre os anos de 2020 e 2024, de acordo com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Em 2024, foram registrados 472.328 afastamentos, que corresponde a um aumento de 68%, se comparado com 2020, quando o número de pessoas afastadas por doenças mentais foi de 91,6 mil.

Ainda segundo o INSS, as licenças concedidas foram, na maioria, por transtorno de ansiedade (141.414), seguidos por transtorno depressivo (113.614), depressão recorrente (52.627), transtorno Bipolar (51314) e demais transtornos mentais.

Segundo Ministério da Previdência Social, só em 2024 foram 3,5 milhões de pedidos de licença motivados por várias doenças, sendo que desse total, quase meio milhão foi por transtornos mentais.

Recorte histórico

No ano de 2020, na pandemia da covid, o número de pedidos de afastamento caiu para 91.607. Já nos dois anos anteriores (2018/2019) esse número estava na casa dos 200 mil.

O Instituto avalia que a incidência de transtornos mentais diminuiu porque, neste período, os trabalhadores não precisaram pedir afastamento uma vez que já estavam em “home office”.

Esse fator também contribuiu para o aumento do estresse por anos de isolamento social onde as pessoas deixaram de encontrar amigos e familiares.

Possíveis causas

Já nos anos subsequentes, o número voltou a aumentar, com o retorno das pessoas ao local de trabalho. Em outras situações, muitas trabalhadores perderam o emprego em decorrência do fechamento de empresas.

Vários fatores podem ter contribuído para o aumento dos afastamento no pós pandemia, como o aumento da informalidade, o que gera insegurança ao trabalhador, a queda da renda familiar, o aumento do custo de vida, grande número de mortes, luto patológico, uma vez que não puderam velar seus parentes e amigos.

A maior parte das pessoas afastadas é composta por mulheres, na faixa de 41 anos de idade. Esse fato pode ser explicado pela sobrecarga de trabalho das mulheres, dupla jornada maior responsabilidade com os cuidados familiares e aumento violência doméstica.

Diante desse salto no número de afastamentos por doenças mentais e o gasto que o INSS teve, o governo federal tomou uma medida com ajustes na NR01, passando a obrigar as empresas a instituírem políticas de prevenção de adoecimento nos locais de trabalho, criando canais para denúncia de assédio moral, sobrecarga, cobranças excessivas ou qualquer outro fator que possa gerar adoecimento mental no trabalhador, ficando a empresa passível de ser multada caso as denúncias sejam comprovadas.

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