Essa escalada nos preços tem impacto direto nos custos operacionais dos bares e restaurantes. A alta recente reforça um dilema para os estabelecimentos. Enquanto o custo do café sobe rapidamente, os preços repassados ao consumidor avançam em ritmo mais lento.
Em janeiro, por exemplo, o preço do cafezinho nos bares e restaurantes subiu apenas 2,71%, muito abaixo da alta de 8,56% registrada nos supermercados no mesmo período.
O comportamento dos preços nos bares e restaurantes reflete a dificuldade de um setor que opera com margens reduzidas e precisa manter a atratividade para consumidores cada vez mais cautelosos. Levantamento da Abrasel aponta que 32% dos empresários não conseguiram reajustar seus cardápios nos últimos 12 meses, enquanto 59% fizeram reajustes abaixo ou apenas acompanhando a inflação.
Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, essa contenção nos preços dentro dos estabelecimentos ocorre porque há uma tentativa do setor de segurar a inflação de forma geral, e no caso do café não é diferente.
“O setor tem segurado a inflação de forma geral, e no caso do café não é diferente, mas há uma dificuldade crescente diante das altas seguidas no preço do insumo. Essa variação faz com que, em termos relativos, tomar café em bares e restaurantes tenha ficado mais barato do que consumir em casa”, afirma.
A resistência em repassar os aumentos ocorre porque o consumidor, pressionado pela perda de poder de compra, tem se tornado mais sensível a reajustes. Muitos empresários tentam manter os preços o máximo possível para não perder clientes fiéis, mas, diante da escalada nos custos, essa estratégia se torna cada vez mais difícil.








