De acordo com o médico intensivista e nutrólogo, José Israel Sanchez Robles, nessa faixa etária os homens sofrem mais acidentes de trânsito, homicídios, suicídios ou outros fatores violentos, e a causa pode ser a possível imprudência masculina.
“Diversos estudos, além da pesquisa recente divulgada pelo IBGE, como os realizados pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontam que homens estão mais expostos a riscos e morrem com maior frequência em decorrência de causas violentas, incluindo acidentes de trânsito e homicídios. Vale destacar que, embora a população feminina seja numericamente superior à masculina no Brasil, os índices de mortalidade entre homens são consistentemente mais altos”, reforça o especialista.
O médico fala, também, do dado mais dramático que se concentra especificamente na faixa dos 20 aos 24 anos, onde a letalidade entre os homens é 3,7 vezes maior do que entre as mulheres. Para cada 100 óbitos de mulheres nesse grupo etário, há 371 óbitos de homens. “
Esse cenário revela um quadro de sobremortalidade masculina intimamente ligado às condições de risco a que os homens estão submetidos, muitas vezes por comportamentos de alto risco, exposição à violência e ausência de políticas públicas eficazes de prevenção. Esses fatores compõem um retrato preocupante da saúde masculina no país, evidenciando a necessidade de intervenções que promovam maior conscientização e ofereçam suporte preventivo direcionado a esse público”, diz José Israel.
Números gerais
A pesquisa ainda traz que, entre agosto de 2021 e julho de 2022, o Brasil registrou 1,3 milhão de óbitos, sendo 54,5% de homens (722.225) e 45,5% de mulheres (603.913).
“O desequilíbrio na mortalidade entre homens e mulheres reflete, em grande medida, a fragilidade do sistema público de saúde no Brasil, que tem se mostrado insuficiente para proteger as populações mais vulneráveis. A alta prevalência de mortes masculinas relacionadas a violência, acidentes e certas doenças evidencia a necessidade de políticas mais efetivas e direcionadas, capazes de oferecer apoio e prevenção adequados a esses grupos de risco, que acabam desamparados diante de situações de vulnerabilidade e exposição”, completa o médico.
Por fim, o especialista afirma que o panorama não só destaca a desigualdade de gênero na saúde, mas também coloca em evidência a necessidade urgente de políticas públicas direcionadas para reduzir a mortalidade masculina.
“É fundamental ampliar a conscientização, especialmente entre os jovens, sobre a importância de valorizar e cuidar da própria vida, independentemente do gênero. Promover o zelo pela saúde e pela segurança pessoal desde cedo pode contribuir para a redução de comportamentos de risco e fortalecer a cultura de prevenção, preservando vidas e promovendo maior qualidade de vida para homens e mulheres”, conclui José Israel.


