A Polícia Federal já tem 101 inquéritos instaurados para apurar os incêndios florestais criminosos no Brasil. O número foi atualizado nesta quarta-feira (02) pelo diretor da Amazônia e Meio Ambiente, delegado da PF Humberto de Barros.
“No último levantamento que fizemos hoje, já temos 101 inquéritos de incêndios criminosos”, relatou Barros. “Estamos aprofundando para chegar naqueles que provocaram os incêndios criminosos e a gente identificar a motivação, pois, às vezes, pode ter outro crime conexo de grilagem, de terra posterior e aproveitamento econômico das áreas que, muitas vezes, são públicas”, continuou.
Conforme o diretor, a PF já constata que a maioria dos incêndios foi provocada por ação humana. Além disso, há a possibilidade, segundo ele, de a maior parte ter sido dolosa, com intenção de provocar a queimada.
“Maioria [dos incêndios] é pela ação humana, crime”, relatou. “Mas o crime pode ser doloso ou culposo. Pode ser uma queimada que saiu do controle, mas que é ilegal, pois decretos vigentes proíbem o uso/manejo pelo fogo. Mas também há a ação dolosa de atear fogo, como foi no Distrito Federal. Já podemos dizer que a maioria [dos incêndios] é pela ação humana, e há possibilidade de ser por ação dolosa”.
Nos inquéritos em curso, que apuram incêndios no Mato Grosso do Sul e no Acre, a PF já confirmou que os criminosos utilizaram o fogo como ferramenta de devastação para exterminar a vegetação nativa a fim de iniciar um processo de grilagem da terra.
Barros defendeu a identificação de todos os autores e a descoberta da motivação para que os criminosos respondam judicialmente e sejam cobrados na esfera cível. Desse modo, eles custearão os valores necessários para recompor as áreas afetadas.
“Criamos vários polos de atuação prioritária”, contou. “Já tínhamos criado no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e, agora, criamos quatro polos na Amazônia Legal, no Acre, em Rondônia, em Apuí (AM) e em Novo Progresso, no Pará”.
Ação do crime organizado não é descartada
De acordo com o delegado da PF, a polícia não descarta nenhuma possibilidade na apuração das queimadas, pois emprega várias linhas de investigação, incluindo a de uma possível ação do crime organizado.
“O crime organizado é uma delas, mas também o uso do incêndio para o crime posterior de grilagem e exploração econômica é uma possibilidade”, pontuou. “É a criação de um esgotamento de forças de segurança, ou seja, para pregar o caos em algumas áreas aproveitando-se do momento climático de muita seca, de estiagem prolongada e de umidade baixa”.



