Nova Olimpia (MT), 22 de setembro de 2017 - 01:28

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28/07/2017 06:04 www.youtube.com

Presos de MT que passam por ''médicos'' são destaque em rede nacional

Presos fingem ser médicos, ligam e pedem dinheiro para exames. Golpe rendia R$ 200 mil por mês

O crime de estelionato praticado pelos detentos da Mata Grande, em Rondonópolis (212 Km ao Sul de Cuiabá) foi destaque desta quinta feira no Jornal Nacional, da TV Globo.

No mês de Junho o golpe já tinha sido noticiado em Mato Grosso, na época três envolvidos foram interrogados e autuados em flagrante por estelionato e associação criminosa, fora uma quarta suspeita.

Um casal acusado de aplicar golpe em parentes de pacientes internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), os dois foram presos na última quinta-feira, 20 , na cidade de Barra do Garças (Vale do Araguaia, a 500 quilômetros de Cuiabá).

Os suspeitos: Fabrício Refo de Oliveira Mattos e Poliana Aparecida Silva, segundo levantamentos da Polícia Civil, Fabrício era o articulador e teria conseguido aplicar cerca de 20 golpes, com prejuízo de mais de R$ 60 mil às vítimas. Poliana teve sua conta bloqueada após denúncia de uma vítima do Estado da Paraíba.

Reportagem do Jornal

A polícia do Rio identificou uma quadrilha que aplicava um golpe em pessoas que têm parentes hospitalizados e em estado grave. Usando um telefone celular, presos fingiam ser médicos e se aproveitavam do desespero e da fragilidade dessas famílias.

Os avisos nos hospitais são o alerta de um golpe cruel.

Golpista: Aqui quem fala contigo é o doutor Marcelo Arantes, médico e diretor clínico aqui do hospital. Tudo bem?

Vítima: Sim.
Golpista: Eu venho através dessa ligação não para repassar uma boa notícia para vocês familiares.

Vítima: Não! Espera, espera que eu tô chegando aí.

Golpista: Ele não faleceu, calma, mantenha a calma, que eu preciso da senhora calma nesse momento.

O golpista diz que o paciente piorou e precisa de exames com urgência.

Vítima: Pode fazer. Pode fazer, doutor. O mais rápido possível, pelo amor de Deus.

Golpista: Mantenha a calma, por favor. As sete tomografias, incluindo os antibióticos que o paciente vai fazer uso após as tomografias “ficou” no valor de R$ 9.800.
Vítima: Pode fazer.

Golpista: Pode fazer, né.

Vítima: Mas vocês só fazem o procedimento depois de ter efetuado o pagamento?

Golpista: Olha, infelizmente sim

O falso médico pede um depósito.

Golpista: Vá pra agência bancária e, chegando lá, eu repasso a conta, o senhor efetua o pagamento e venha pro hospital pra gente dar início.

Vítima: Eu não tenho R$ 9 mil na minha conta assim.

Golpista: Qual o valor que o senhor tem de imediato?

Vítima: Eu não sei. Eu não sei, meu amigo. 

O discurso é sempre o mesmo, com palavras complicadas.

Golpista: Nós vamos ter que submeter o paciente ainda agora, com extrema urgência, a sete tomografias computadorizadas LKF 3D de última geração. Se não realizar as tomografias ainda agora o paciente pode “vim” a óbito.

Os erros de português chamam a atenção.

Golpista: É uma hemorragia ainda não generalizada, situada próximo “a pâncreas” e ao fígado. O hospital hoje, no imediato, ele não disponibiliza do “amparato” pra estar cobrindo e realizando no ato do imediato como o paciente necessita. Se no decorrer desse prazo esta hemorragia venha a se alastrar ou se “explandir” pelo corpo do paciente, pode ser que venha a ocasionar até uma “multiplica” falência de órgãos.

Algumas vítimas desconfiam.

Vítima: O senhor deve ter me mandado algum dado errado. A conta tá em nome de pessoa física.

Golpista: Isso, mas é da pessoa física. É da doutora Natasha costa.
E quando os parentes percebem que pode ser um golpe, os bandidos ameaçam.

Vítima: Me dá o nome do senhor e a procedência, faça o favor?

Golpista:  O senhor tome as providências do senhor, e assim que o senhor “vim” ao hospital, eu te entrego pessoalmente o atestado de óbito dela.

Para conseguir as informações dos pacientes, os bandidos enganavam os funcionários dos hospitais.

Golpista: É o doutor marcos, minha querida, tudo bom? Confirma pra mim o paciente que se encontra aqui no primeiro leito conosco, na unidade, minha querida, da UTI.

Atendente: Da cardio?

Golpista: Sim, sim.

Atendente: Doutor, eu não tenho autorização pra “mim” ficar passando o nome dos pacientes, não.

Golpista: O nosso sistema aqui está dando falha, está... Pra falar a verdade, eu não tô conseguindo nem prescrever, minha querida.

Atendente: Pois é, mas eu não posso passar esse tipo de informação.

Golpista: Não, mas só confirma pra mim o número do pronto-atendimento dela, minha querida. Você já vai tá me ajudando bastante.

Atendente: A última informação é a que eu posso passar pro senhor.

A investigação foi feita pela polícia do Rio de Janeiro porque a maioria das vítimas é da cidade.

A escuta policial durou cinco meses, e mostrou que os criminosos agiam em todo o Brasil, com chips de telefone de vários estados. Mas a quadrilha estava num único lugar: são quatro presos de uma cela da Penitenciária Mata Grande, em Rondonópolis, Mato Grosso.

Eles fizeram mais de 90 mil ligações. Fora da cadeia, comparsas sacavam o dinheiro nas agências bancárias. O bando faturava até R$ 200 mil por mês com o golpe.

Golpista: Fica na ativa aí, que na hora que ela falar que “tá na mão, doutor”, nós “liga” pra você.
Golpista:  Falou, então.
Golpista: Então fica na ativa aí, que nós “vai” ganhar um dinheiro agorinha.
Golpista:  Ô, Catatau, tem R$ 6 mil, vai lá sacar.
Golpista: “Demorô”.

Os golpistas debochavam.

Golpista: Tem gente burra demais.
Golpista: Não é que o povo é burro, é que “nós” conversa bem demais.

A delegacia de Copacabana monitorou caixas eletrônicos e prendeu quatro pessoas em Rondonópolis. Elas captavam contas usadas no golpe, sacavam o dinheiro e enviavam para a cadeia.

Nesta quinta-feira (27) os policiais entraram no presídio e apreenderam cinco celulares. Eles também encontraram o texto que os golpistas repetiam para cada vítima:  “Bom dia, doutor Marcelo, aqui é do hospital tal”.

Os presos, que cumpriam pena por roubo à mão armada, agora vão responder também por estelionato e formação de quadrilha.

Uma vítima conseguiu recuperar o dinheiro.

“A gente tá envolvido emocionalmente na situação, e você só pensa em ajudar mesmo a pessoa que você ama, né? Você acaba se sentido culpada e envergonhada de ter sido roubada. Na verdade isso é errado, né? A culpa é do bandido, ele que é o culpado da situação”.
“Eu sempre vou aconselhar que todas as pessoas chequem pessoalmente ou ligando para o hospital. Confirme aquela informação antes de aceitar depositar qualquer tipo de quantia em dinheiro”, orienta o delegado Gabriel Ferrando.

Golpista: Eu vou necessitar, meu querido, de correr contra o tempo agora, nesse momento, pra tá revertendo todo o quadro clínico da dona Ofélia. E vou necessitar da ajuda da família, ok?

Vítima: Pois é, doutor. Deixa eu te perguntar, reverter o quadro clínico dela como, se ela já morreu? Minha mãe faleceu.

A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso informou que, no primeiro semestre, apreendeu 300 celulares na Penitenciária da Mata Grande, e que está investindo R$ 2,5 na compra de um equipamento que bloqueie os celulares.

 

Fonte 24horasNEWS


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