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28/08/2017 07:06

Ministro Blairo Maggi é investigado na 'Lava Jato Pantaneira'

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a investigação de suspeitas de corrupção no governo de Mato Grosso. E um dos citados é um ministro do governo Temer.

Blairo Maggi foi governador de Mato Grosso duas vezes, primeiro pelo PPS, depois pelo PR. No segundo mandato, de 2007 a 2010, Silval Barbosa foi seu vice-governador. Hoje, Blairo no Partido Progressista é ministro da Agricultura do governo Michel Temer.

Silval Barbosa citou Blairo em pelo menos duas suspeitas de obstrução de justiça - tentativa de interferir nas investigações. Uma delas ocorreu no período em que Blairo já era ministro, no dia 22 de abril. Nessa data, Silval gravou uma conversa com um dos políticos que o visitaram na prisão, e eles falam de Blairo.

A conversa gravada foi com o senador José Aparecido dos Santos, conhecido como Cidinho Santos, do PR. Na gravação, o senador Cidinho diz que vai falar com Blairo Maggi - uma resposta às reclamações de Silval pelo tempo que estava preso.

Cidinho: Eu vou falar com o Blairo também.
Silval: Obrigado, obrigado pela visita.

Em seguida, o senador Cidinho promete resolver.

Silval: Uma hora passa. Não tem tempestade que dure para sempre.
Cidinho: É. Segura as pontas aí que nós vamos resolver
Silval: Tá.

Na investigação, a procuradoria diz que, nessa conversa, Silval disse a Cidinho que pensava em confessar os crimes e pagar fiança para sair da cadeia.

Segundo Silval, Cidinho respondeu que o ministro Blairo Maggi, o senador Welington Fagundes, do PR, e o "número 1 PTX", se referindo ao atual governador de Mato Grosso, Pedro Taques, do PSDB, o ajudariam.

Silval registrou tudo usando um gravador dado pelo filho. Ele quis reunir material ao saber que seus planos de se tornar um delator já haviam sido noticiados.

A Procuradoria-Geral da República afirma que “Blairo por intermédio de Cidinho tentou obter informações sobre a prisão de Silval Barbosa e de suas tratativas para delatar, e que o senador chegou a relatar a Silval Barbosa a forma como a Operação Ararath seria anulada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região”

Silval também fala de uma segunda tentativa de Blairo de interferir nas investigações. O ex-governador revelou um pagamento feito por ele e por Blairo ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Éder Moraes. Silval contou que o objetivo era que Éder mudasse um depoimento a fim de inocentar Blairo Maggi.

Silval diz que, em troca, Éder recebeu R$ 6 milhões e explica como acertou tudo com Blairo Maggi em uma conversa, em 2014, na chácara do agora ministro. No vídeo, o delator lê o próprio depoimento.

“Que nessa conversa, o declarante expos a Blairo Maggi que pedido feito por Éder Moraes de R$ 6 milhões para se retratar, tendo Blairo Maggi concordado em efetuar o pagamento de R$ 3 milhões para que Éder se retratasse das declarações que implicavam o declarante e Blairo Maggi”.

Silval contou que ouviu do próprio Blairo, em 2015, que o pagamento foi feito e que os dois conversaram dentro do Senado.

“Que o pagamento da quantia de R$ 3 milhões da conta de Blairo Maggi, por meio do empresário Gustavo Capilé, foi confirmado ao declarante pelo próprio Blairo Maggi em seu gabinete em Brasília, no ano de 2015, na época em que ele era senador da República”.

Éder de fato se retratou. A nova versão veio depois dos pagamentos revelados por Silval.
Numa entrevista à TV Centro América, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso, em janeiro de 2015, Éder disse que ”estava tomado pela emoção" quando levantou suspeitas contra Blairo e Silval.

“Então todo esse contexto fez com que eu ali colocasse algumas palavras que eu depois me retratei sobre todas elas”, disse na ocasião.

A retratação foi um dos motivos que levaram o Ministério Público a pedir o arquivamento do caso, o que ocorreu em maio de 2016, por decisão Supremo Tribunal Federal.

O procurador Rodrigo Janot diz que diante dos casos revelados há a suspeita de obstrução de justiça e corrupção de testemunha - falso testemunho.

O ministro relator do caso, Luiz Fux, autorizou abertura de inquérito para investigar a existência de uma organização criminosa no alto escalão do governo do Mato Grosso entre 2006 e 2014.

O pedido foi do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Silval, três parentes e seu chefe de gabinete fizeram uma extensa delação - são quase 150 depoimentos. Pela fartura de indícios apresentados pelos delatores e pelo número de políticos envolvidos, a operação já está sendo chamada de Lava Jato Pantaneira.

Janot afirma que Blairo "exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa".

A delação de Silval já foi homologada pelo ministro Luiz Fux. Caberá a ele analisar e autorizar ou não diligências nas investigações, ou seja, é ele quem define os próximos passos das apurações sobre os políticos com base nos pedidos do Ministério Público.

O ministro é considerado duro em processos criminais. Em um dos casos de grande repercussão - o processo do mensalão do PT - ele foi decisivo ao acompanhar o relator Joaquim Barbosa em quase todas as condenações mais pesadas.

Em Curitiba, o ministro falou sobre a delação:

“A delação é monstruosa pela quantidade de anexos e pelo número e pessoas envolvidas. Nesse sentido é que ela é monstruosa. Evidentemente que, infelizmente, nós nos acostumamos com a ideia de corrupção sistêmica, então, monstruosa, parece que ela supera a corrupção sistêmica. Mas é uma espécie de corrupção sistêmica que afronta nossos valores morais e éticos pela sua extensão em toda a administração”.

Como o senhor classifica as imagens de entrega de dinheiro?

“Um atentado à dignidade do povo brasileiro”.

O que dizem os citados
O ministro Blairo Maggi afirmou que nunca agiu ou autorizou ninguém a agir de forma ilícita ou para atrapalhar a justiça e que não fez nem autorizou pagamentos a Éder Moraes.

Éder Moraes disse que desconhece o conteúdo da delação de Silval, e que nunca recebeu dinheiro para mudar de depoimento.

O governador de Mato Grosso, Pedro Taques, disse que nunca teve relação com Silval Barbosa e que eles são adversários políticos.
José Aparecido dos Santos disse que o ex-governador age de má-fé para se livrar da cadeia.

O senador Wellington Fagundes nega que tenha participado de esquema ilícito.

 

Fonte Pioneira


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