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Caso Lilian Calixto

Erro Médico 18/07/2018 22:15 Por Laura Tizzo, Michele Mendes e Gabriel Luiz, TV Globo e G1 DF

Foragido, Dr. Bumbum foi indiciado ao menos 6 vezes pela polícia do DF

Clínica clandestina no Lago Sul foi alvo de operação em novembro. Paciente morreu após cirurgia em cobertura na Barra da Tijuca, no Rio, neste domingo.

Conhecido como Dr. Bumbum, o médico Denis Cesar Barros Furtado foi indiciado ao menos seis vezes pela Polícia Civil do Distrito Federal por exercício ilegal de medicina e crime contra o consumidor.

Ele foi alvo de uma operação realizada em novembro de 2017 em uma clínica clandestina mantida no Lago Sul, área nobre de Brasília. Até esta quarta-feira (18), o Ministério Público informava que não tinha conhecimento de denúncia contra o médico à Justiça. No entanto, o órgão disse que existe a possibilidade de ele já estar respondendo judicialmente em algum processo que esteja correndo em sigilo.

O médico está foragido desde que fez um procedimento estético na cobertura de um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que terminou com a morte de uma paciente, no domingo (15). A advogada dele diz que "muitas das informações" são falsas (leia mais no fim da reportagem).

Após o caso, a namorada do médico, Renata Fernandes Cirne, de 20 anos, foi presa. A mãe dele, a médica Maria de Fátima Barros – que está com o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) do DF cassado –, fugiu.

Já o Dr. Bumbum ainda tem registro ativo no CRM do DF. A maioria dos processos sobre o médico relacionados à má prática do exercício corre em sigilo no Tribunal de Justiça do DF.

Durante a operação em Brasília, foram apreendidos documentos, dinheiro, material hospitalar e três armas – duas pistolas .380 e uma espingarda calibre .12 – sem registro no Ministério da Justiça. Por causa das armas, chegou a ser detido em flagrante, mas foi liberado após pagar fiança.

 Operação no Lago Sul

Segundo a polícia, o material apreendido em novembro comprovou que houve prática de medicina em local inapropriado. Além disso, só não houve abordagem prévia da Vigilância Sanitária e do CRM por causa do horário de funcionamento da clínica, sempre à noite – uma estratégia para evitar a fiscalização, segundo o delegado Paulo Márcio Meireles Rodrigues.

As investigações começaram naquele mês, quando ao menos duas vítimas procuraram a delegacia do Lago Sul para denunciar o médico e reclamar de procedimentos que não deram certo.

"Para cada procedimento, as pacientes desembolsavam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil", disse o delegado.

“Eram tratamentos não reconhecidos, alguns até mesmo proibidos, como implantes hormonais para fins estéticos."

Um dos casos que chamaram a atenção da polícia foi o de uma tetraplégica que procurou a clínica para diminuir as dores que sentia. Ele prometeu que ela voltaria a andar e fez um "implante hormonal". A cada espasmo que ela tinha, dizia que era a prova de que o tratamento estava funcionando. Porém, além de a paciente não melhorar, passou a sofrer de um problema pulmonar.

Os investigadores afirmam ainda que o médico prometia terapia neural para curar depressão, mas aplicava apenas aminoácidos nas vítimas.

Dr. Bumbum

Denis Furtado é popular nas redes sociais, onde ele mesmo se fez conhecer pelo apelido de Dr. Bumbum. No Instagram, ele conta com mais de 645 mil seguidores.

Na rede sociais, ele dá dicas de saúde e exibe os resultados de antes e depois dos procedimentos estéticos que realiza. Estas são as mais populares e chegam a contar com 10 mil curtidas.

Sindicância

Ao G1, o Conselho Regional de Medicina do DF informou que é o conselho do Rio que está liderando as investigações sobre a morte da paciente, pois é onde ocorreu a morte do paciente.

A cassação do registro mantido em Brasília só pode ocorrer após as investigações em território fluminense serem encaminhadas à capital.

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Alegando sigilo, o órgão disse que não pode divulgar o número de sindicâncias das quais o Dr. Bumbum é alvo.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), por sua vez, informou que Denis Cesar Barros Furtado responde a "processo ético-profissional" no CRM-DF. Também segundo o órgão, ele foi alvo de uma "interdição cautelar para o exercício da profissão" em março de 2016, medida suspensa três meses depois pela Justiça.

Defesa

Em nota enviada ao G1, a advogada do médico, Naiara Baldanza, afirmou que "muitas das informações que estão circulando na internet e redes sociais acerca do médico são inverídicas".

"Ninguém é considerado culpado antes da sentença penal condenatória e que qualquer conclusão acerca da morte de Lilian Calixto e a eventual responsabilidade do meu cliente sobre essa fatalidade é precoce", disse a advogada.

Segundo Baldanza, a paciente que morreu no Rio de Janeiro não apresentou complicações no procedimento estético e foi acompanhada pelo Dr. Bumbum ao hospital.

Questionada pelo G1 se a advogada sabe onde está o médico e se ele se entregará à Justiça, ela disse que "por enquanto, este é meu único pronunciamento".


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