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22/11/2021 20:16 olivre.com.br (com Assessoria)

MP pede indisponibilidade de fazenda e indenização de R$ 8,9 milhões por queimada no Pantanal

Inquérito policial constatou que o fogo foi proposital, com o objetivo de produzir áreas de pastagem

 

A 15ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa do Meio Ambiente Natural de Cuiabá ajuizou Ação Civil Pública (ACP) requerendo, em caráter liminar, a indisponibilidade da Fazenda Três Marias, localizada na zona rural de Santo Antônio de Leverger (35 km de Cuiabá), e a suspensão das atividades lesivas ao meio ambiente.

No ano passado, a propriedade foi multada pela queimada de 1.735,7077 hectares de vegetação nativa do bioma Pantanal, após diligência requisitada pelo Ministério Público de Mato Grosso. O indício de crime ambiental foi identificado pelo projeto Olhos da Mata, por meio da plataforma de sensoriamento remoto Global Forest Watch.

Na ação, o MPMT pede a averbação da indisponibilidade na matrícula do imóvel, de modo a garantir o pagamento de uma indenização de R$ 8.975.587,52 pelos danos ambientais praticados. 

No julgamento do mérito, requer ainda a recuperação da área degradada pelo incêndio e reposição florestal obrigatória referente à área de vegetação nativa suprimida ilegalmente.

Conforme a promotora de Justiça Ana Luiza Avila Peterlini de Souza, alem de destruir vegetação nativa, o incêndio “ocasionando inquestionáveis danos à flora, à fauna, ao solo e à qualidade do ar, com o claro intuito de formação de pastagem para utilização em atividade agropastoril”.

A promotora lembrou que, em atendimento à solicitação do Ministério Público, que constatou possível ocorrência de desmate e incêndios ilegais via satélite, a 2º Companhia de Polícia Militar de Proteção Ambiental vistoriou o local e emitiu relatórios que resultou em inquérito civil.

“As diligências bem empreendidas pela Polícia Militar possibilitaram concluir que o incêndio praticado na Fazenda Três Marias foi proposital, visando atingir determinadas áreas do imóvel rural, com o objetivo de destruir a vegetação nativa do local”, narra a ação.

Segundo Ana Luiza Peterlini, “verificou-se que a passagem do fogo, que se deu entre os dias 25/05/2021 e 18/06/2021, foi uniforme e controlada”, bem como que “foram empregados maquinários na construção de aceiros tão somente na divisa da Fazenda Nova Três Marias com imóveis vizinhos, impedindo que o fogo atingisse as propriedades lindeiras e não na linha de frente do fogo, como se faz para impedir a destruição da vegetação”.

Outros fatores que reforçam que o incêndio foi intencional e controlado com o intuito de destruir a vegetação nativa, são cercas intactas e o fato de o fogo não ter atingido áreas em que já havia formação de pastagens.

A possibilidade de o incêndio ter sido provocado por fenômenos naturais também foi afastada, uma vez que foi constatado que no período foram detectados 78 focos de calor na área, todos iniciando nas proximidades dos aceiros e terminando dentro do mesmo imóvel rural, com distâncias de mais de mil metros entre eles.

“Como se sabe, na hipótese de ocorrência de eventos naturais, o fogo foge do controle e atinge áreas independentemente dos limites do imóvel e da distância entre um foco e outro”, afirmou a promotora de Justiça.

 


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